2 de fevereiro de 2007

Vou publicar aqui uma entrevista que dei pra Revista Best que tem publicação em Alphaville - São Paulo. Nela falo sobre um tema que sempre quis abordar: relações humanas que se dão via Internet.



RB: Quais são os principais motivos, conscientes ou inconscientes, que levam às pessoas a optarem, na maior parte das vezes, pela comunicação on-line? Que tipo de benefícios e prejuízos esse tipo de comunicação pode trazer?

A comunicação on-line vem atender a duas necessidades prementes do mundo moderno: economia de tempo aliada à sensação de segurança. É inegável que a possibilidade de você falar com várias pessoas das suas relações ao mesmo tempo e ainda conseguir conhecer novas pessoas no ambiente seguro que sua casa ou trabalho representa foram fatores decisivos para que essa forma de comunicação se tornasse tão popular. É claro que isso pode representar tanto aspectos negativos quanto positivos, e isso vai depender principalmente da forma como essa comunicação é entendida pelo usuário: se como meio, instrumento, ou como finalidade. Se for vista como meio, instrumento, a pessoa vai comunicar-se com os outros através da internet para mediar encontros e conversas que se darão fora dela, e nada existe de errado nisso, muito pelo contrário. Se for como finalidade, o indivíduo vai usá-la para se proteger de encontros de fato, alimentando-se de relações que existem e são reais, porém são limitadas pelo espaço e condições virtuais. Isso pode vir a ser um grande problema, que não surgiu com a internet, mas foi evidenciado por ela.



RB: Pela experiência que você tem no assunto, como as pessoas, de uma forma geral, costumam se comportar no ambiente virtual? A timidez diminui? A
mentira e a omissão prevalece nesse ambiente? Existe alguma mudança nesse quadro geral de uns cinco anos para cá? Caso tenha ocorrida alguma mudança, qual é o principal motivo que justifica a mesma?

Tudo que é novo fascina e atemoriza; com a internet não foi diferente. No começo a possibilidade de comunicar-se sem ser visto por estar detrás de uma tela de computador deu, ao usuário, uma sensação de liberdade que muitas vezes descambou para a libertinagem, pois a chance de criar uma personagem que era, a maioria das vezes, muito próxima de quem sempre se quis ser, mas de quem não se chegou muito perto de concretizar - no dito mundo real. Esta era uma tentação muito forte e muitos enveredaram pelo caminho da mentira/omissão, alegando para si mesmos que faziam isso em nome da necessidade de segurança.

E isso em decorrência de um erro de percepção: as pessoas achavam que estavam se relacionando com a máquina. Foi com o tempo, e o uso, que começaram a se dar conta de que por detrás das letras que viam surgir no seu monitor havia uma outra pessoa tão de carne e osso quanto elas mesmas e, portanto, tão capazes de sentir quanto de despertarem sentimentos. Foi neste momento que as pessoas tiveram de lidar com a constatação de que as mentiras/omissões entravavam as relações, às vezes impedindo-as, principalmente quando o outro tinha sido honesto a cerca de si mesmo... Perceberam que estar seguro na internet não significa necessariamente mentir sobre si mesmo e mais, que existem formas e formas de mentir e omitir, sem que isso signifique enganar o outro.

Porém, criar uma persona - desde que esta não seja pautada em dados irreais - ou simplesmente poder se expressar sem ser visto, pode propiciar alguns ganhos para o desenvolvimento pessoal, desde que com o tempo as características que se desenvolveram nessa brincadeira de ser alguém um tanto diferente do que eu costumo ser no mundo venha a existir também fora da internet. Como a pessoa tímida que acabou se tornando mais assertiva, pois “protegida” pelo ambiente virtual conseguiu arriscar-se mais na exposição das suas opiniões e acabou trabalhando a própria timidez ao se ver livre de que o outro constate que ela ruboriza, por exemplo, o que para quem é tímido é algo mortificante e impeditivo de expressar-se em público. Provavelmente a pessoa também ruboriza na frente do micro, fica tensa no aguardo a como reagirão à sua fala, mas com o tempo ela começa a ruborizar menos ao mostrar seus pensamentos e quando se dá conta, já o está fazendo na frente das pessoas.

Hoje diria que são basicamente os novatos que ainda se utilizam do artifício de se esconderem atrás da tela do computador utilizando-se de nicknames e inventando personas, e isso se não tiverem alguém que os oriente em sentido contrário. Os usuários de chats e sites de relacionamentos também têm esse hábito, mas basta estarem em ambientes virtuais mais pessoais, como o MSN e e-mail, por exemplo, para que se identifiquem e dêem a conhecer sua verdadeira identidade. Ao contrário do que dizem por ai, as relações podem ser muito profundas no ambiente virtual se as pessoas estiverem dispostas a; e isso porque existem o tempo e a palavra como instrumentos para não apenas conhecer o outro, mas para dar-se a conhecer, tanto a si mesmo quanto ao outro.

E, no entanto é verdade que dentro da Internet existem pessoas mal intencionadas, da mesma forma que existem fora dela. E então existem algumas regras de segurança a serem seguidas e que, no fundo, são as mesmas regras que existem para o dito “mundo real”. Acontece todo um alarmismo quando ocorre um crime relacionado com a internet, pois as pessoas sempre têm necessidade de criarem bodes expiatórios, porém a realidade é que os crimes ocorrem, na maioria das vezes, com pessoas que não se conheceram ou se relacionaram através do ambiente virtual. O ser humano sempre estará envolvido em condições delicadas e hostis, seja qual for o seu ambiente, uma vez que carrega estas características dentro de si.

Atualmente a internet ainda é uma entidade mitificada, principalmente por aqueles que resistem às mudanças e querem pautar a sua resistência em opiniões que acabam criando tabus e mitos e estes nunca são benéficos a ninguém e cabe ressaltar que quem age dessa maneira o faz também com outros aspectos da vida e não apenas em relação à internet. Porém cada vez mais pessoas estão se conectando através de microcomputadores e entendendo que estes são apenas um meio mais rápido para unir pessoas em diversas partes do planeta. Que nada existe de virtual e ilusório nos sentimentos que a gente tem despertos por aqueles que nos mandam mensagens e compartilham conosco a nossa/sua existência, e que as relações ditas virtuais vão trazer implícitas e no seu desenrolar, as mesmas complicações que as relações ditas normais. Digo isso por perceber que persiste ainda em muitos usuários a fantasia de que, por ser virtual - o que muitos ainda entendem por ilusório e fantasioso - as relações que se dão via internet só podem ser passa-tempos prazerosos como um jogo de vídeo game. Vai ficar atrasado no trem da evolução humana quem se recusar a ampliar seus conceitos pessoais e afetivos nesse sentido. Relações são relações e trazem implícitas todo o prazer e dor que relacionar-se confere.




RB: No caso do Orkut, vemos em muitos perfis, recados, deletados, você acredita que as pessoas estão se preocupando mais com a privacidade na internet?A mentalidade dos usuários estão mudando em relação à isso? Por quê?

O Orkut despertou na maioria das pessoas o “voyerismo nosso de cada dia”. É como se fosse um Big Brother, mas com a vantagem de que posso espiar, sem ser visto, pessoas que realmente me interessam, que estão próximas a mim.

A grande força do Orkut reside em dois pilares: possibilita reencontrar e retomar relações com pessoas que fizeram parte de nossa vida num determinado momento - e que provavelmente jamais reencontraríamos se não fosse o site - e poder acompanhar a vida do outro, sem necessariamente me fazer anunciar ou me tornar presente nesta. Podia, pois a coisa ganhou tal proporção que hoje existe a possibilidade de você saber quem visitou o seu perfil, caso opte também por deixar saberem quem você andou visitando.

O que me chamou a atenção foi a “paranóia” que se seguiu quando essa ferramenta foi instalada no Orkut e que, de certa forma, persiste até hoje. E chamo de “paranóia” pelo fato das pessoas ficarem muito incomodadas e sentindo-se perseguidas por quem de desconhecido chega até as suas páginas, o que a meu ver denuncia, por parte dos usuários, propostas completamente opostas ao princípio do site. Diz que Orkut nasceu da teoria de que cada pessoa é ligada a qualquer outra pessoa no planeta por no mínimo uma entre outras seis pessoas com as quais se relacione. Ou seja, entre eu e seis amigos meus, e entre o George Clooney e seis amigos deles, no mínimo dois são em comum o que faz com que a possibilidade de nos conhecermos pessoalmente seja grande, mesmo que improvável, o que, diga-se de passagem é uma pena. O Orkut foi feito sobre essa premissa e queria comprovar essa teoria.

Hoje, principalmente pela adesão maciça dos brasileiros, este se configurou como um site de relacionamentos onde você reencontra pessoas e faz novos amigos. Não é então de causar espanto que as pessoas se mostrem tão irritadas por terem seus perfis visitados por estranhos? Você está num site público, faz parte de comunidades públicas que denotam características pessoais e preferências suas; disponibiliza fotos, recebe recados e depoimentos que também ficam disponibilizados para qualquer um que acessar a sua página, e está querendo privacidade? É no mínimo incoerente. Muitos vão dizer que estão lá para estarem com os amigos, porém isso é ilusório: com os amigos se está fora do Orkut e se seu objetivo é esse mesmo, monte um site/blog senhado e forneça a senha a apenas com quem você quer compartilhar a sua vida.

Porém entendo que isso nasce do conflito que vivemos quanto ao que é de domínio público e privado e que essa é a mesma confusão que fazemos com os artistas e suas vidas; confusão esta que acaba alimentando os paparazzi e promovendo a invasão da vida destes. O artista é uma pessoa pública, porém suas vidas são de domínio privado, ou seja, deveriam só interessar a eles mesmos. O problema é que o Orkut, tanto quanto as artes, acabam por serem usados como aval para promover uma intromissão na vida alheia e em decorrência disso, no Orkut, começou-se a optar por apagar os recados assim que são lidos. Algumas pessoas não conseguem entender que existe uma diferença enorme entre saber algo e emitir opinião sobre esse mesmo algo. Também desconhecem que podemos ser responsáveis e responsabilizados apenas pelas mensagens que escrevemos e jamais pelas que recebemos, pois cada um escreve o que quer e nem sempre a pessoa do lado de lá está dotada de boas intenções. Muita gente sai do Orkut e apaga os recados na tentativa de acabar com brigas, geralmente entre cônjuges, namorados, parceiros.




RB: Como psicóloga o que mais te preocupa no mundo virtual e o que mais te agrada? Por quê?

O que mais me agrada na Internet é a possibilidade de relacionar-se rompendo com barreiras temporais e de espaço. Uma pessoa aqui em São Paulo pode conversar ao mesmo tempo com uma amiga que está em Roraima, com um outro que está em Minas Gerais, com a vizinha de rua, com a sobrinha na Suíça e com o amigo nos Estados Unidos. Vocês trocam fotos, vocês se mostram na webcam, conversam com programas de Voip e isso diminui a distância e aumenta o contato. Conseqüentemente as relações humanas tornam-se mais próximas e calorosas.

A possibilidade também de conhecer e estabelecer vínculos com pessoas que de outra forma você dificilmente contataria, pelas dificuldades financeiras do mundo moderno que não nos permite viajar tanto quando seria bom, é outro aspecto que me agrada demais.

Acho que a preocupação sempre recai sobre aqueles que usam o ambiente virtual para fugirem da vida dita real e que então acabam viciando-se. Porém quero ressaltar que a pessoa que se vicia em internet tem a mesma estrutura de personalidade do que se vicia em bebida, em drogas, em jogo ou do que se torna um fanático religioso. A internet é apenas um elemento a mais; a pessoa desenvolveria o quadro independente desta, pois a disfunção é anterior.




RB: O que define uma pessoa viciada em internet? Existem muitos casos? Qual a forma de amenizar essa situação? A ajuda dos pais pode contribuir nisso? De que forma? Você percebe uma preocupação dos pais em relação à comunicação on-line e aos perigos da internet? Eles costumam fazer algo para evitar que os filhos se exponham à esses perigos?

É ainda um quadro novo e acho temeroso definir sintomas. Porém diríamos que temos alguém disfuncional em relação ao uso da internet quando a pessoa passa a deixar de fazer coisas prazerosas, de cumprir com seus compromissos e deveres no mundo dito real, para ficar na frente da tela do computador. Deixa de sair com os amigos porque os encontrará on-line, não vai mais a shows, cai o rendimento escolar ou começa a ter problemas profissionais por não conseguir realizar o seu trabalho e justo por viver checando mensagens, verificando o Orkut e conversando no MSN.

Sim, existem muitos casos, porém nem todos os diagnósticos são pertinentes na minha opinião, uma vez que a introdução nesse universo geralmente leva a um abuso que a grande maioria das vezes acaba passando um tempo depois. É como a criança que ganhando um brinquedo novo, fica absorta por este até que ele deixe de ser novidade e então volta a ter a atenção direcionada a outras coisas. Muitos podem estar pensando agora que na criança dura menos tempo essa absorção do que no usuário da internet, porém devemos atentar para o fato de que a Internet possui opções muito maiores para serem exploradas e por isso “passar a febre” leva um pouco mais de tempo.

Não existe uma prevalecencia da infância ou da adolescência no vício da Internet, sendo este um mal que acomete qualquer um e em qualquer idade. Porém os pais devem sim monitorar e limitar o uso da mesma, visando não apenas evitar que isso aconteça, mas também e, principalmente, proteger seus filhos dos pedófilos que rondam a rede em salas de bate-papo, blogs, flogs e afins.

Na minha maneira de ver e entender, a melhor conduta para com a criança e o adolescente é estabelecer horários de uso e colocar o microcomputador em lugar onde os pais possam ver o que acontece na tela do simplesmente passando por este, ou seja: computador na ausência de ambos os pais não pode ser acessado, pois se o pai ou a mãe ao passar pelo micro notar algo que chamou a atenção, pára e verifica. Os adolescentes principalmente vão protestar, porém se ele tem atividades que o mantém fora do micro e se é incentivado a estar com a sua turma no universo concreto, este pouco se ressentirá ou terá necessidade de fazê-lo via internet. O uso do computador para o adolescente é o mesmo que fazíamos do telefone na nossa adolescência, ou seja: não posso estar com minha turma de corpo presente? Então fico com eles na Internet e ainda tenho o ganho de poder fazer novos amigos.

Aqui é fácil deduzir que muitas vezes a paranóia dos pais com o que eles chamam de “perigos do mundo” acaba prendendo o filho dentro de casa e do ambiente virtual e colaborando, muito, quando já existe a predisposição, para que este se torne um problema.




RB: Outro fator muito relevante na comunicação virtual é a linguagem. Você acredita que a linguagem utilizada nesse tipo de comunicação pode interferir no aprendizado de uma criança ou adolescente? Caso interfira, o que pode ser feito?

Acredito sim que a forma de escrever utilizada pelas crianças e adolescentes na internet interfira e muito no aprendizado. É aquela coisa: você se habitua ao errado. E se tem uma coisa difícil de mudar são os “hábitos”. Para se ter idéia, por hábito conseguimos permanecer anos em relações que nos infelicitam, quem dirá escrevendo errado... Na sala de aula, na hora de fazer as provas, a dúvida se instala: qual a forma correta de se escrever? E isso se a dúvida se instalar, pois na verdade a “ficha” geralmente só cai quando eles recebem de volta a prova e vêm lá os pontos descontados em função dos erros de português. Ai vão correr atrás do prejuízo e a maioria das vezes se dão conta que o dano está feito, uma vez que não conseguem mais ter certeza “di comu eh qui si exkvi mexmu”...

Entendo que essa forma de falar possa denotar a existência de uma “tribo”, que seja o sinalizador de um contexto social, mesmo que virtual, e que faça com que eles se sintam inseridos num contexto e pertencentes a esse grupo social específico o que é sempre um aspecto positivo por ser algo característico da adolescência. Porém acho que eles devem desenvolver outra forma de reconhecerem-se na Internet, pois acredito que essa mudança na língua pátria acabe por interferir, e em curto prazo, na noção de identidade social enquanto povo, nação. E isso num país onde o povo já tem essa identidade tão fragmentada é tão temeroso...

Somos brasileiros e nos comunicamos tanto na forma verbal quanto na escrita através da língua portuguesa que possui um conjunto de regras e normas que a estabelecem. Isso faz com que, num país territorialmente grande como o nosso e salvo as diferenças idiomáticas de cada região, a comunicação se estabeleça e eu consiga compreender qualquer pessoa que se comunique comigo se utilizando desse conjunto de regras que ordena os fonemas. O que já acontece é que se na forma verbal nada se modificou profundamente, na forma escrita a coisa anda um tanto delicada, uma vez que é quase impossível entender o que um adolescente escreve se você não se dedicar a lê-lo com muita calma e paciência.

Até ai tudo bem se os adolescentes não começassem a ter a mesma dificuldade em entender o que os outros escrevem quando o fazem na forma correta. Ou seja: é a compreensão e a comunicação entre gerações que está sendo afetada, isso para ficar apenas num âmbito mais pessoal. Se quisermos ampliar essa questão, basta pensar em como esses adolescentes terão dificuldade para compreenderem o conteúdo dos livros que rechearão as suas vidas acadêmicas e, conseqüentemente, em como será a leva de profissionais que estaremos formando em poucos anos.

Na minha opinião, os pais devem conversar com os filhos e imporem regras para minimamente limitarem esse tipo de escrita ou até mesmo aboli-la, além, é claro, de incentivar, e muito, a leitura.

Não, não é fácil, mas também não é difícil, é apenas trabalhoso; mas temos de medir o que dará menos trabalho e será menos penoso afetivamente: se limitar agora, mesmo que for mediante a imposição de regras, a forma de se usar a língua e a internet, ou ter de lidar mais tarde com a sensação de inadequação e inferioridade que certamente resultarão dessa incapacidade de compreender e se fazer compreender a contento, tanto no ambiente real quanto no virtual?

1 de fevereiro de 2007





Senta que lá vem post...


Há alguns dias atrás, conversando no MSN com uma amiga que me lê desde o Depois eu penso nisso... e que tem a paciência que me falta em reler todos os meus posts que ficaram no arquivo do Botando a boca no trombone, ela fez um comentário extremamente pertinente ao meu respeito: estou sempre recomeçando.

São inúmeras às vezes nas quais posto que vou começar tudo outra vez. Inúmeras. E essa é uma constante na minha vida que já me incomodou muito, hoje não mais. Eu sou número 1 na numerologia - é o número que determina pessoas que têm habilidade em liderar, mas também o eterno recomeço. Sou cabra no horóscopo chinês; sou Gêmeos com ascendente em Leão, Lilith em Áries; ou seja: permanecer num mesmo lugar, mesmo que interno, por muito tempo não é comigo. Mas até que alguém me associasse ao mito de Sísifo, eu não lidava nada bem com isso não. Havia em mim uma noção de que minha vida seguia assim por que eu era incapaz de seguir adiante com algo; inconstante, irresponsável, impaciente? Não.

Não vou explicar o processo, mas hoje sei que é assim porque uma das coisas que tenho de aprender nessa vida é o desapego. Então, independe da minha vontade de permanecer, as coisas ao meu redor mudam num passe de mágica. O que mudou é que se um dia “as mudanças” me eram impostas e por isso, sofridas, hoje não são mais. Hoje aprendi a perceber quando a vida começa a soprar em outro sentido e ao invés de me opor a ela, relaxo o corpo e sigo na onda. E, felizmente, me é permitida uma certa constância e vou usar como exemplo os lugares onde morei nos últimos 28 anos...

Eu rodo num espaço de cinco quilômetros quadrados. Então em cada novo lugar no qual moro, faço novas amizades, porém consigo manter laço com os antigos amigos, consigo fazer compras nos lugares de costume onde você troca dinheiro do seu cartão no caixa do mercadinho porque é freguesa; onde seu sobrinho vai comprar sorvete sem você saber num BR mania com menos dinheiro do que deveria e o traz, porque sabem que é seu sobrinho - mesmo que você não saiba como sabem, e sabem porque viram vocês dois andando na rua e mandam te dizer para depois você passar pra acertar. Onde os taxistas te chamam pelo nome da mesma forma que você também os chama, e quando você pega um taxi diferente esquece de dizer o caminho de casa tão mal acostumada que está em só ser carregada por quem sabe onde você mora. Onde você corta o cabelo há 25 anos com o mesmo cabeleireiro, mesmo que ambos tenham mudado de endereço várias vezes, e de quem conhece toda a família. Eu gosto dessa constância, dessa sensação de pertencer a um lugar.

E é como ouvi um amigo meu comentar comigo essa semana: “quem já te viu sair da garagem com o último modelo do carro sport mais cobiçado, e sempre de tanque cheio, e hoje te vê procurando uma casa mais barata pra morar”... Pois é. Minha vida teve altos e baixos e está indo para o alto de novo, mas a verdade é que me orgulho muito de mim por ser a mesma pessoa com ou sem dinheiro. Eu converso do mesmo jeito com as pessoas, não é o dinheiro que me faz.

Porém acho que o mais importante nisso tudo é dizer que estou sempre recomeçando porque nunca desisto de mim, por mais que, às vezes, me decepcione comigo mesma. Eu caio hoje, posso levar até alguns dias para levantar e sacudir a poeira, mas sempre dou a volta, se não for por cima é pelo lado, pelo meio, por baixo, mas dou a volta.

E tem aquilo né? Você vai andando e mesmo que caia, o caminho que você trilhou, você trilhou; quando você levanta e recomeça, você retoma desse ponto específico, nunca é da estaca zero, por mais que pareça ser no momento.

E falei tuuuuudo isso para contar que estou mudando de novo e, portanto, recomeçando. Mudando de casa, novamente para um lugar novo, mas próximo daqui, e isso vai implicar em passar alguns dias desconectada, até que liguem o telefone. Mas eu volto crianças, eu volto.

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E o processo de encontrar essa casa veio confirmar uma coisa que eu sei, mas estou aperfeiçoando: o que é teu, é teu. Por isso não precisa muita ansiedade, sofrimento e angústia para realizar as coisas. Porque até tudo o que tinha pra dar errado dá certo quando é a sua hora e vez. O que devemos fazer é dizer o que queremos para o universo e esperar que ele decida como aquilo chegará até nós.

A nós cabe nos mantermos abertos, alertas e em movimento para não deixar passar o que o universo nos manda achando que cairá no nosso colo. Sim, pode cair, mas isso não somos nós quem determinamos.

Ainda vou falar mais disso e quero também digitar alguns textos da Zíbia Gasparetto que falam disso de forma muito pertinente. Quem sabe enquanto estou sem conexão eu não faço isso e ai quando voltar posto...

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E a mudança me fez ver que eu sou fanática por papel, ou me fez lembrar que sou fanática por papel... Caracas! Como eu guardo papel!!!! E se for em branco então.. Das mais variadas cores, tamanhos, formatos, finalidades. Papel pra escrever, papel de origami, papel de fazer flores, papel cartão, papel laminado, papel de contas, notas fiscais, propagandas; papel, papel, papel... E pra jogar fora?? Uma dor semelhante a que sinto se vou me despedir no aeroporto de um amigo que faz parte do meu cotidiano sabendo que não o verei nos próximos 10 anos!!!!!

Mas eu venci!!!

Botei fora não só papeis, mas roupas, sapatos, coisas que nem lembrava mais que tinha. Porque eu tenho isso: esqueço que tenho se a coisa não estiver muito visível... Sinal que tenho mais do que preciso.

E o critério foi: se eu pensar: “um dia posso vir a precisar”... Tá fora! E mesmo assim ainda sobrou coisa...

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E nem contei né?

Eu vou correr a São Silvestre de 2008! Esse é o meu projeto para esse e o próximo ano e ele implica em uma reformulação total que já está acontecendo. Voltei a caminhar todos os dias – tá, agora com a mudança não, pois acabo o dia morta de cansaço de tanto empacotar e carregar caixa cheia, e sacos de roupa e lixo e etc., etc. Mas retomo na segunda sem falta!!!

E tudo graças ao Marcelo Thomé – não, vocês não o conhecem, mas deviam... rs... Que me incentivou da maneira correta no momento certo. E essa sou eu: começo o ano querendo arrumar um namorado e a vida me manda logo é um treinador... rs..

E é muito legal ver todas as pessoas que convivem comigo comentarem o quanto eu já emagreci!!! E isso com mudanças pequenas, mas significativas, na minha dieta fora a caminhada.

Porém acho que o principal mesmo foi um acordo interno que consegui fazer comigo mesma em relação ao abuso que sofri. O de que eu tenho o direito de TER O MEU CORPO. Tenho o direito de SER BONITA. Tenho o direito de SER ATRAENTE. E o PRINCIPAL: SEI ME DEFENDER MUITO BEM, pois por diversas outras vezes estive em situações declaradas de risco e nunca voltei a ser abusada, e nem fui violentada. Além do que, energeticamente, sei que aprendi a lição à qual o abuso veio ligado. Me transformei profundamente e então não preciso mais dessa lição, posso viver outras coisas.

Resumindo: eu tenho o direito, eu estou pronta e quero viver com um corpo magro, atraente e saudável.

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Também devo ao Marcelo a minha mais nova paixão e vício: Lost!

E Jesus amado!!! O que é aquele ator que interpreta o Sawyer hein??? Ah!!!!!!!!!!! Entrou pra minha listinha dos com quem eu trairia por uma noite, mesmo que loiros não sejam o meu forte... depois eu faço aqui a listinha e conto do que se trata isso... rs... pois o sono bateu forte...

Também quero falar sobre a Meg e o rebuliço que sua falsa morte causou em parte do universo blogueiro.

Viram? Eu vou, mas deixo vários assuntos pendurados pra eu voltar e voltar postando!

Beijo crianças e se cuidem!


Hasta la vista babys!

27 de janeiro de 2007

O Blogger mudou o sitema, e a template foi pro beleléu. Estou aqui arrumando tudo, pois foi só quando precisei que vi que não tinha salvo a versão definitiva da coitadinha... Pra variar.

14 de janeiro de 2007

 


A razão do meu silêncio


Namoro letras, palavras e idéias desde um tempo do qual já não me lembro mais. Ultimamente ando distante delas... Muitos perceberam.

Sou dona de palavras fortes; palavras que machucam, que magoam, mas também que consolam, que animam, que ensinam, que fazem rir...

É que trago minhas palavras impregnadas de mim.

É o coração quem trago na ponta da caneta ou dos dedos que deslizam sobre as teclas.

E sou fidedigna ao que sinto. Simplesmente não consigo sentir uma coisa e escrever outra; não consigo. Não consigo mesmo que tenha plena certeza de que em alguns momentos seria muito melhor...

Concordo que devo aprender a esperar mais para botar para fora determinados sentimentos que, por virem à tona com muita intensidade, parecem eternos, mas são na verdade momentâneos. Logo passam... Este é o problema quando se é habitada por vulcões: a gente entra em erupção.

E, no entanto, não consigo deixar de achar graça quando sou criticada pela dureza das minhas palavras... E acho graça por ter plena consciência de estas machucam, principalmente, porque a humanidade vive a era da hipocrisia, o que faz com que as pessoas não se preocupem com o conteúdo do que é dito e sim com a forma como se diz.

Isso se traduz mais ou menos assim: pode-se dizer a qualquer pessoa os maiores absurdos desde que seu texto seja politicamente correto, desde que se traga nos lábios um sorriso e se floreie o conteúdo com palavras que denotem um afeto e cuidado que muitas vezes se está longe de sentir. Jamais seja transparente e direto quando seus sentimentos não são nada nobres. E como não sou uma pessoa de formas - e fôrmas - e sim de conteúdo, acabo me dando mal, pois nunca me importo com a maneira como algo foi me dito, e sim com o que me foi dito; seja gritado, cuspido ou entre sorrisos.

E isso porque o como não impede que algo doa. O que sempre dói, seja em mim ou em você, é exatamente o significado do que foi dito. E nada ameniza um significado. Nada. Nada diminui o peso de um tijolo e a dor que ele causa quando ele te atinge. E sim, eu sou boa em atirar tijolos. A diferença é que não finjo que não os atiro e nem desenho flores neles esperando que o outro ache que não é um tijolo e sim um buquê de rosas.

Eu posso me desculpar pelo que disse, mas jamais retiro o que disse por que você não retira um tapa que deu na face de alguém. Deu está dado. Se você se arrepender, pede desculpa. O outro te perdoa ou não, mas não existe nem como você fingir que não bateu e nem como o outro fingir que não apanhou.

É por isso que atualmente vivo um dilema: ou sigo escrevendo da forma que sempre fiz - e correndo o risco de perder pelo caminho as pessoas que não se agradam dessa minha característica - ou me calo por não conseguir tirar o coração das minhas palavras.

Como vocês podem perceber tenho me mantido calada.

9 de janeiro de 2007

O post sobre a morte do Saddan gerou uma discussão do bem nos comentários e me deu vontade de reproduzí-la aqui já que nem todo mundo acessa comentários...

Gui: Amore, você sozinha se contradisse e encontrou uma melhor opção para o enforcamento — o que, vindo de uma pessoa contra a pena de morte, não deveria ser opção. Trabalho.

Sim, Saddam morreu. A questão não é se ele é melhor vivo ou morto, ou se ele vai gerar um custo ao estado iraquiano. A questão, como você notou é bem maior e envolve, por exemplo, a averiguação detalhada (que poderia vir com o julgamento e a possível condenação) de muitos outros crimes e ligações, tanto dentro do iraque quanto relacionados com outros governos. "Ah, mas ele pagou por eles também, afinal, morreu!" É, mas historicamente perdeu-se uma chance ótima de grifar todas essas passagens vergonhosas, a fim de que não se esqueça. Com tempo se resolve e se descobre muita coisa, com uma execução não.

Nas suas palavras, deixar o Saddam vivo não derruba o imperialismo americano, por assim dizer, mas matá-lo é justamente o que eles querem: "o bichinho de estimação ficou raivoso; matemos, depois a gente compra outro".

Matar o Saddam a essa altura do campeonato e de forma tão apressada era justamente o que se devia evitar. Se não por tudo o que eu disse, então para não nos igualarmos a ele.


Marie: Não amore, eu não me contradigo. Eu só fiz uma escolha real entre as utopicas. Pois a verdade é que é tudo utopia, até mesmo que você deseja, que é até o mais correto, mas não foi feito até agora e não seria feito nunca.

O mundo ainda não está apto a lidar com sobriedade e seriedade em relação ao mal que ele mesmo produz.


Gui: Aí que tá, amore, eu não acredito que seja a melhor opção para o mundo.

Você se contradiz porque diz que o mundo "ainda" não está pronto e logo depois classifica tudo como utopia. Ao fazer isso você desacredita qualquer possibilidade do mundo ficar pronto, pois negando a utopia você bloqueia fortemente a evolução.

Se eu não me engano, assim com a esperança traz motivação ao indivíduo e o sonho tras uma meta, a utopia traz um caminho — isso é psicológico, não?

Agora, se o caminho que a humanidade decide trilhar termina na forca simplesmente porque não está pronta (será que não está?)... então vejo tão pouca utopia, quanto sonho, quanto esperança.


Marie: Não Gui a utopia não se refere a sonho, nem esperança e sim à ilusão. E ilusão fala de projetos pautados em condições irreais e por isso nunca aptos a tornarem-se realidade de fato e, portanto, em evolução. É por isso que utopias são negativas, assim como ilusões: fazem marcar passo no mesmo lugar sem se ir a lugar algum.

Sonhos são coisas que se tem e que podem ou não serem ilusórios ou utópicos. Mas a única forma de evoluir é justamente sonhando e colocando esse sonho em bases concretas para que ele possa acontecer.

A Revolução Russa mesmo naufragou porque? Baseou-se num senso de nacionalismo, solidariedade e comunidade que não existia de fato na população como um todo e muito menos nos que foram encarregados de cuidar dela e o que vimos quando ela acabou? Um país devastado por pequenos ditadores que centralizaram todo o poder econômico e mantiveram a população na miséria mais profunda por décadas a fio... Evoluíram os russos? Naquele momento não. Quando da queda do Comunismo eram um povo embebido em álcool e drogas, sem terem nenhuma condição de trabalho e ainda tendo de correr atrás de todo um avanço tecnológico para poderem participarem do mundo moderno.

Sim, os Estados Unidos foram megaultrahiperblaster utópicos em relação à invasão no Iraque e agora o mundo tem nas mãos um pepino tremendo, pois o país está sentado sobre uma bomba prestes a explodir já que lá existem três "nações" ideológicas que não se afinizam e que vão lutar até à morte para assumirem o comando do país assim que os americanos virarem as costas - o que demonstra que democracia é um processo utópico para aquele povo, sacou? - e as saídas para se evitar que isso aconteça são quase nulas...

O enforcamento de Saddan é, ao meu ver, o menor dos problemas e o que deveria chamar menos a nossa atenção embora eu entenda e acate todos os argumentos, mas a verdade é uma só: nós vivemos num mundo bárbaro, sim, e pior: essa barbarie está aqui no nosso país, mas a gente insiste em fingir que não, que isso rola só no quintal do nosso vizinho; e isso porque os nossos métodos de massacrar o outro são mais sutis, porém não menos eficazes...

O caminho para a evolução ao meu ver não é utópico, mas é torto, praticamente um milagre que vai acontecer, mas eu não sei precisar como, pois passa por cada um e implica em uma transformação pessoal profunda que deve nos tornar verdadeiramente respeitosos para conosco mesmo e para com o outro e suas diferenças. Se a gente não consegue isso ainda no âmbito pessoal, quem dirá no coletivo...

4 de janeiro de 2007

Mataram o Saddan



As pessoas se indignaram com o enforcamento do Saddan Hussein. Para mim foi o que de melhor poderia acontecer, não para ele, mas para o mundo.

Nós não temos estrutura para lidar com ditadores depostos, como não temos para lidar com bandidos; e deixá-lo mofando numa prisão sendo sustentado pelo Estado enquanto gente honesta passa fome para mim não é solução, é afronta. Não, não sou a favor da pena de morte. Sou a favor de um sistema prisional que reeduque pessoas e torne-as construtivas para a sociedade, seja esta qual for.

E enquanto alguns ficam chocados ao constatarem que vivem num mundo que ainda enforca as pessoas, eu fico por me dar conta de que faço parte de uma humanidade que ainda produz gente que pela força e matando milhares, impõe para milhões as suas ideologias. E por todos olharmos isso e fazermos de conta que nada tem a ver com a nossa vida. Saddam morreu, mas a África está cheia de pequenos ditadores que matam milhares por ano submetendo seus semelhantes a condições de vida degradantes e ninguém faz nada. Em nome do vil metal ninguém faz nada.

Fico emputecida em fazer parte de uma espécie que inventa tantas coisas, mas que até agora não conseguiu descobrir uma maneira efetiva e saudável de cuidar daqueles que apresentam desvios de personalidade que causam danos a terceiros. Os sistemas carcerários do mundo inteiro estão lotados de pessoas que passam à vida toda lá, a maioria sem conseguir transformar a forma como consideram o próximo. As cadeias geralmente funcionam apenas como faculdade de aprimoramento de vilania.

Cansei dos discursos politicamente corretos e vazios. Se não se sabe o que fazer com os Saddans do mundo melhor matar do que ficar sustentando-os pelo resto de seus dias. Que o dinheiro que seria gasto com ele seja empregado para manter crianças na escola lá no Iraque.

Sim, utópico. Mas entre essa minha utopia e aquela que quer que o imperialismo americano seja deposto pela manutenção de um Saddam vivo e inerte, prefiro a minha. Se ao menos ele fosse posto para trabalhar, reconstruir o que foi destruído... Sim, sou adepta de que o trabalho dignifica o homem. Sempre.

28 de dezembro de 2006

 


Recado de "Deus":

28 dezembro 2006

Foi dada a largada do irreversível processo através do qual sua alma migrará de um mundo social a outro, o que implicará certos rompimentos, mas também encontros novos, que venham a ocupar o lugar dos atuais desencontros.

27 de dezembro de 2006

 

A última mensagem do Ano



2006 foi um ano foda, tanto no sentido positivo: quando me trouxe de volta à profissão e a amigos muito queridos que existiram no meu passado e hoje fazem, de novo, parte do meu presente - quanto no negativo: quando tirou da minha vida pessoas das quais eu não tinha nenhuma intenção de me afastar.

Acho que não chorei em nenhum ano tanto quanto chorei em 2006 - nem quando meu pai morreu, nem quando a empresa faliu - e hoje tenho duas "pintinhas" no nariz que surgiram por conta de chorar demais; aprendeu? Chorar em excesso dá pintinhas salientes na ponta do nariz!!!

Foi um ano no qual perdi o pé mais do que podia ou queria, que feri e fui ferida mais do que deveria; mas que em momento algum deixei de ser fiel ao que sentia, mesmo que o que sentisse não fosse eterno, embora parecesse no momento.

Também foi um ano em que me libertei de pessoas que me faziam mal; que durante muito tempo e embora eu conseguisse perceber o mal que me faziam, não conseguia me afastar... Compaixão mal colocada sabe? Pois, isso nunca é bom e tem gente que abusa deliberadamente, fique atento sempre.

Um ano onde ficou evidente aos olhos alheios que sou mais feita de defeitos do que de qualidades... E viva a minha tão proclamada e enfim acreditada humanidade! Sou bem no estilo Mae West: quando sou boa sou boa, mas quando sou “má”, sou melhor ainda. Eu sei fazer doer e ponto.

Foi um ano também no qual olhei de frente no olho da maldade e vi que ela realmente existe. Mas maldade mesmo sabe? Daquela que quer prejudicar o outro a todo custo? Essa! E aprendi que a força dela está no fato de nos calarmos diante dela porque não queremos ameaçar a nossa paz tão mesquinha... Aprendi que não existe paz em mim se alguém que amo está sofrendo e então deixei de me calar diante do mal que conheço e vejo. Passei a comprar briga em defesa de amigos. Me lasquei em alguns momentos, mas não me arrependi em nenhum.

Foi um ano no qual fiquei face a face com o meu pior lado e resolvi que tinha de mudá-lo; e que embora ainda esteja em processo de, o que implica que ainda vou tropeçar muito nele por ai, e que tenha sido tarde para recuperar ou manter algumas pessoas, nunca o é quando se pensa que existe uma vida inteira pela frente... E eu tenho né? Pois se é verdade que a vida só começa aos quarenta, ainda sou um embrião!! Só nasço em Junho!

Tá, vida que eu quase achei que tinha acabado nesse Natal, não nego, quando a dor era tanta que achei mesmo que ia morrer, mas num morri, graças a Deus!!! Ao menos para mim... rs... E nas quase 36 horas que mais dormi do que fiquei acordada e tive muitos e muitos sonhos, e vi e revi muita gente, me dei conta de como me apeguei a bobagens perdendo pessoas por coisas que são, de verdade, tão pequenas, tão mesquinhas. Valeu o lembrete que pretendo levar como bandeira ano que vem.

Foi um ano em que ajudei algumas pessoas a se verem de forma mais real e a apostarem em si mesmas para conquistarem a própria felicidade. São presentes que carregarei para sempre em meu coração saber que hoje aquele sorriso ali naquele rosto e aquela esperança naquele outro olhar teve um dedinho meu de perseverança, insistência, dedicação... Tá, broncas também, por que eu sou assim mesmo: uma sarna! Ma se serve de consolo nunca são broncas desnecessárias, que se manifestem os bronqueados!!! rs...

Mas tem uma coisa que não dá mais pra tolerar depois desse ano e que em 2007 - e pra sempre - vou fugir que nem diabo foge da cruz, e seja de quem for: especialismo. Sabe o que é especialismo? É aquele comportamento que algumas pessoas insistem em ter que quando põe algo na "balança do que dei e do que recebi em troca" e pesam primeiro - e com muito valor - o que fizeram por você, para só depois - e com pouco valor - colocarem o que você fez por elas lá, ou seja: você está sempre em débito com elas, mesmo que tenham te esfolado praticamente vivo. É aquele tipo de gente que te cobra que você saiba a pessoa de bem que é, quando alguém fala mal delas, mas que quando chega a vez dela de saber o mesmo sobre você, num rola. É quem se magoa por que os outros não vão às suas festas, porém nunca acham que elas mesmas têm de ir às festas alheias. Quem está sempre pronto a apontar os defeitos alheios e, no entanto, está ali sem conseguir sequer enxergar que apenas o fato de ficar prestando atenção nisso já é um enorme defeito em si mesmo... Enfim, gente que espera uma deferência que não concede sabe? Que está sempre magoado e ofendido e deprimido e achando que o mundo lhes deve algo, que são uns injustiçados, e que são as palmatórias do mundo, os mártires por excelência. Ah não né? Me respeite, me poupe, me economize! Trocando em minutos: se de repente você sentir que eu estou te evitando, pare para pensar se você não anda se achando especial demais...

Problemas todos têm: eu, você o Zé da esquina, a Gisele Bundchen, o George Clooney - e você achou mesmo que eu ia fazer um ultimo post do ano sem falar nele? rs... - até o Prêmio Nobel da paz tem. Problemas acontecem porque fazem parte da vida e solucioná-los é uma das magias de viver. Nem tudo se resolve como queremos, mas nada fica intacto se fizermos a nossa parte, e podemos fazê-la mesmo quando achamos que daquela vez não teremos mais forças. Às vezes demora mais, às vezes menos, às vezes a solução vem de onde menos esperamos ou nem vem, mas um dia nos damos conta que passou e a gente nem viu... A receita, se é que existe uma, é não deixar de viver e não ficar esperando que condições ideais aconteçam para você realizar os seus desejos. Sabe aquela estorinha do se te derem limões faça uma limonada? É verdade! E se te agradar e você preferir, faça uma caipirinha, e beba, e dance e brinde com os amigos - ou sozinho - o eterno milagre que é acordar todo o dia, mesmo que tenhamos de viver um dia que preferíamos ter pulado. Outros dias melhores sempre virão, basta você estar na vida.

Então é isso. Eu desejo para mim e para você que 2007 seja um ano BOM. De MUITA paz, saúde, amor compartilhado, sorrisos trocados, laços estreitados, confianças restituídas, perdões concedidos, tolerância aplicada, paciência multiplicada e muito pouco, mas muito pouco mesmo especialismo. Ninguém é melhor que ninguém. MESMO. Somos, todos, pessoas vivendo em cima de um planetinha azul e isso já é mágico o suficiente, não precisa ser mais especial.

17 de dezembro de 2006

 


Pequena crônica natalina


Uma das lembranças mais queridas que guardo do meu pai tem como cenário uma cozinha de móveis, geladeira e fogão vermelhos, iluminada pela luz suave da manhã de domingos ensolarados, mesmo que não o fossem. Era somente nesse dia que meus pais estavam o dia todo em casa e então, enquanto minha mãe fazia o almoço - que consistia de frango ao molho de açafrão, macarrão na manteiga e salada de alface e tomate - que embora sejam pratos simples têm sabor inigualável e apreciação unânime até hoje por conta do tempero diferenciado e que todos adoram; meu pai estava à mesa cigarro numa mão, café com leite sem açúcar na outra, ladeado pelos três filhos e cumprindo um ritual que se tornou sagrado por muito tempo: contar-nos a mesma história domingo após domingo. Hoje nem sei como tinha tanta paciência...

Era uma história que não sei por que guardei na memória um conto de natal, embora não o seja. Talvez por trazer implícita uma moral que é o grande legado que meu pai deixou aos seus filhos e que, vez por outra, eu gosto de dividir com as demais pessoas. E como o Natal é a época de ofertar presentes àqueles que queremos bem, compartilho com você, meu leitor e amigo, essa que agora transformo num pequena crônica natalinaa.

E, no entanto, para fazê-lo bem, cumpre-me situá-los para que melhor compreendam e visualizem o que vou relatar. Para isso é preciso que saibam que meu pai era suíço e nascido em 1912. Naquela época na Suíça havia muitas fazendas e as cidades, apesar de diminutas, eram para onde todos migravam aos domingos para assistir a celebração da missa, aproveitando então para saberem das novidades políticas e sociais que aconteciam durante a semana. E era também em volta da igreja que as pessoas eram enterradas. Como meu pai afirmava que essa história fora por ele vivida, presumo que o que relato a seguir se deu por volta de 1919, 1920, quando este tinha entre sete e oito anos; idade com a qual já conseguia apreender os acontecimentos com maior significado.

Contava meu pai que todos os domingos um homem taciturno que vivia sozinho numa fazenda, pois nunca se casara e era filho único de pais já falecidos, se arrumava e coloca-se, a cavalo, a caminho da cidade para assistir a missa. Fato é que, invariavelmente, quando este chegava à metade do caminho o sino da igreja tocava anunciando a eucaristia – e quem é católico sabe que após esse momento não se entra mais na igreja – o que fazia com que ele descesse do cavalo, ajoelhasse no meio da estrada e fizesse ali mesmo as suas orações, após as quais montava novamente o animal e retornava à sua fazenda. Ninguém entendia porque ele não saia mais cedo já que demonstrava interesse em assistir a celebração, mas fato é que domingo, após domingo, ano após ano esse episódio se repetia como num ritual pessoal.

Até que num dia de inverno o homem veio a falecer e como era de hábito naquela época, após ter sido velado em casa, uma carruagem funerária foi fazer o seu translado da fazenda até o cemitério onde seria enterrado. Fazia muito frio e nevava no momento em que o cortejo fúnebre - formado pela carroça que carregava o caixão e as dos demais moradores que a acompanhavam - seguia pela mesma estrada que ele percorria todos os domingos para ir à missa. Quando o carro funerário atingiu exatamente aquele ponto do caminho no qual ele sempre acabava rezando, os cavalos empacaram. Não se moviam nem pra frente e nem para trás e nada houve no mundo que fosse capaz de fazê-los passar daquele ponto carregando o caixão. Nem aquela e nem outras parelhas que foram trazidas no intuito de tentar fazê-lo chegar ao cemitério para ser sepultado. Levar o caixão carregando-o nem era uma possibilidade, pois além de nevar muito, a distância era grande demais para ser percorrida a pé levando tanto peso. Depois de muito tentarem decidiu-se que o certo era enterrá-lo ali mesmo e assim foi feito. O lugar permaneceu, por muito e muito tempo, sinalizado por uma cruz.

Depois de contar-nos essa história meu pai dizia, olhando-nos com aqueles olhos de um verde suave, mas repletos de intensidade, que os cavalos não seguiram dali justamente porque o homem também nunca se preocupara em fazê-lo. E acrescentava que a vida é exatamente assim: vai conosco até onde vamos com ela.

Este é o meu singelo presente de Natal para vocês somado ao desejo de que 2007 seja um ano próspero em todos os sentidos positivos.

Beijos!

6 de dezembro de 2006

 


Estava lembrando hoje que uma vez já crescida - entenda-se que por volta dos 28 anos, mais ou menos - fui ao Playcenter com um bando de amigos doidos que resolveram que eu ia andar em todos os brinquedos, aqueles mesmo dos quais eu tinha pânico absoluto.

De cara me enfiaram na Montanha Russa, primeiro carrinho e quando ele fez a curva lá em cima pra descer, que eu vi o chão, pensei simplesmente: "morri". Não era um aviso, era uma constatação. Mas não, não morri, posto que estou aqui postando (riminha besta, mas num resisti.. rs...).

Depois disso veio o Wiking e é claro que pedi para pararem aquela p... Ops! Porcaria da brinquedo e sai de lá sob o coro do Playcenter inteiro: "ê ô, ê ô, a loirinha arregô"!!!


Ai chegou a vez dum brinquedo que rodava alucinadamente no sentido vertical. Só sei que quando vi o chão se aproximando numa velocidade estonteante o pavor foi tão grande, mas tão grande que comecei a passar mal e achar que "sim, agora é verdade e eu vou mesmo morrer"... Cheguei a ver a vida passando toda diante dos meus olhos... Porém uma coisa interessante aconteceu: no momento exato onde estava para "apagar", "algo explodiu" dentro de mim e aquele pavor imenso que eu sentia desapareceu por completo como num passe de mágica e desandei a rir de pura alegria.

Depois disso a cena era hilária: eu que até então era arrastada à força pros brinquedos, passei o resto do dia puxando todos de um lado para outro por que ai sim quis brincar em TODOS, absolutamente TODOS os brinquedos que via pela frente.

Hoje lembrei disso porque num outro grau aconteceu de novo: algo achei que não ia dar conta, um sentimento que vinha me consumindo a ponto de me deixar preocupada comigo mesma simplesmente desapareceu do meu peito. Acordei, procurei por ele dentro de mim e nada. Mas nada mesmo. Não botei fé né? Gato escaldado tem medo de água recaida... Achei que ele voltasse durante o dia e nada; ainda o esperei à noite, mas nada. Nada! Tão nada que não consigo nem achar bom ou ruim. Porém estou completamente aliviada.

Sim, é claro que eu queria saber exatamente o que das coisas que aconteceram ontem fez com que isso fosse possível. Ou como tudo o que aconteceu ontem se aliou no meu inconsciente e desligou a chave... E isso pra poder fazer isso quantas e quantas vezes achar necessário. Mas como nada é perfeito...

Tem horas que eu mesma me espanto comigo...

Não, decididamente não sou normal...

E ainda tem gente que quer achar que me conhece... rs...

Ahãn...

26 de novembro de 2006

 


Eu luto contra mim mesma. A cada dia empreendo uma nova batalha contra aquilo que em mim é, mas sei que não deveria ser.

Uma das coisas que mais me incomodam em mim é algo que nomeei de “falsidade essencial”. Sei que não é uma falsidade, mas como se comporta como se fosse, e na falta de um outro termo que dê uma noção tão próxima do que seja na aparência quanto este, fica esse mesmo. É algo sobre o qual já falei neste blog: a minha capacidade de perder completamente o interesse por pessoas pelas quais fui durante muito tempo, absolutamente apaixonada, sem que esta paixão seja no sentido romântico da palavra.

Eu não quero ser assim, porém ainda sou assim. Mudar um comportamento em mim implica em muita conversação interna e muitos acordos. São tentativas e tentativas; fracassos sobre fracassos para se chegar a um novo lugar interno. Demanda tempo, paciência, tolerância e perseverança.

E mudar implica em não ter verdades absolutas. Tenho verdades; e por mais que - passional que sou - elas sejam anunciadas com força a convicção fazendo parecerem absolutas, sei que não o são. O problema é que só eu sei. Assim como sei que em algum momento do meu percurso vou me questionar sobre elas; vou me perguntar: “será mesmo verdade”? E ao fazer isso cederei no meu pseudo absolutismo e começarei a buscar possibilidades de verdades, que se transformarão em caminhos alternativos para mim. E é nesse momento, quando alternativas diferentes se abrem, que eu mudo de posição, retrocedo, volto atrás, desdigo o que disse, peço desculpas, tento refazer o meu caminho. Só que as pessoas entendem o que é o resultado de um briga ferrenha interna como “exagero”, “drama”, "charme", algo que dá e passa. E ao fazerem isso passam a ter verdades absolutas sobre quem sou ou como sou. As mesmas verdades que eu não possuo...

O que possuo são limites. Mesmo errando, mesmo prejudicando o outro e a mim mesma, existem “lugares” aos quais não me permito ir, pois aí já é questão de caráter e índole e estes, em minha opinião, são muito mais difíceis de serem transformados.

Talvez fosse mais cômodo para mim mesma que me transformasse em silêncio. Mas tá ai algo que não consigo fazer: fingir que não sinto o que sinto, representar um papel. Eu falo o que sinto, na hora que sinto. Só que em mim nem os sentimentos são imutáveis... Por conta disso as pessoas me cobram uma constância que me é impossível, principalmente por não ver problema algum em sentir raiva dentro do amor, gana dentro da alegria... Sentimentos que até podem ser contraditórios, mas que coexistem dentro da gente em relação a uma mesma coisa. E isso está ligado a procurar viver de acordo com as coisas que acredito. E acredito piamente que estamos nessa vida para nos transformarmos em algo melhor, mesmo que esse processo implique em muito erros, enganos, desilusões e dor. Só que isso só pode acontecer se não escondermos em baixo do tapete o pior de nós mesmos.

É assim que eu sou e é assim que gosto de ser: sem compromisso ferrenho com as minhas verdades.

Mutante.

24 de novembro de 2006

 

O nosso fim

Existe limite para que nos despedacem o coração? Aliás, como pode um órgão sem qualquer osso, partir-se assim tanto e tão amiúde? E como pode ainda, partindo e partindo, doer tanto e tanto e cada vez mais? Doer a ponto de quase nos enlouquecer...

Eu tentei... Deus! Como tentei manter apto o coração para o amor e a amar-te apesar de... Porém hoje recebi o golpe de misericórdia que deu fim a essa nossa história agonizante e, já há muito, cambaleante.

Chega né? Chega.

A minha dor não se traduz em palavras... As lágrimas que derramo correm quentes pelo meu rosto e selam em meus lábios o silêncio que se apossou de mim em relação a você. Já não existe nada que possa ser dito entre nós que reverta o nosso fim. Ele chegou de fato.

Sim, eu vou sobreviver; sempre sobrevivo. Só não me peçam para amar e confiar novamente; nem como “homem” e nem como "amigo"; isso não me sinto mais capaz de fazer. Sequei.

Afetos são sinceros, mas são apenas afetos e está bom que seja assim.

21 de novembro de 2006

Publiquei um dos meus contos preferidos no "Nas Asas das Palavras"

Ele faz parte de uma série de contos intitulada: sobre azul, que alguns acham que merecem virar um livro de contos.

Gostaria imensamente que vocês fossem lá lê-lo, e que me dessem suas opiniões sinceras sobre o conto.


Obrigada!

20 de novembro de 2006

 


Eu nunca achei que fosse escrever isso um dia aqui da mesma forma que você nunca achou que fosse ler isso neste blog, ou ouvir da minha boca, mas a verdade tem de ser dita.

Não sei se é duradouro, não sei se é pra valer, não sei nem como será, com quem será ou se será, mas é fato:

Ando com vontade de casar!!!!


Pronto falei!

19 de novembro de 2006

 



Eu sou um samurai!


Estão dentro do carro. Ela está de lado no banco do passageiro, uma perna dobrada sobre o corpo, ele está deitado com a cabeça encostada em seu no peito. Com a mão direita ela lhe massageia o nariz; compenetrada, está num estado flutuante de atenção que pretende captar as emanações afetivas que escapavam ao seu toque. No aparelho um CD de músicas celtas os embalava.

Pela janela aberta atrás de si entra um pequeno mosquito que vai de encontro ao vidro da frente do carro e, como é característico dos mosquitos, começa a tentar sair por ali. Ela, no estado de consciência dilatado em que estava, percebeu a sua entrada e com os dedos da mão que estava livre começou a tentar capturá-lo para o pôr para fora, uma vez que sabê-lo ali, naquela luta insana, acabou por lhe tirar a concentração. Tentou uma, tentou duas, tentou três vezes e nada, o danadinho lhe escapava sempre por entre os dedos.

Ele continuava recostado nela e absolutamente alheio ao que se passava logo ali atrás, pois graças a anos e anos de treino, ela seguia massageando-o como se nada de diferente estivesse acontecendo. Foi então que ela se lembrou dos filmes onde os samurais japoneses, como parte do treino de concentração e prontidão, tinham de capturar insetos voadores usando o hashi – pauzinhos japoneses - e sentiu que devia agir sob o mesmo princípio. Concentrou-se no mosquitinho e nas pontas dos seus dedos e quando proferiu em voz alta: “eu sou um samurai!” capturou de imediato, soltando-o do lado de fora do carro.

Voltou-se novamente para ele a tempo de o ver virar-se para olhá-la com olhos absolutamente espantados que denunciavam que ele provavelmente se perguntava: “mas que inventou essa maluca agora”? Ela caiu na risada e ele a acompanhou. Quando conseguiu fôlego para explicar-se ambos precisaram de tempo para conseguirem parar de rir e retomarem o que estavam fazendo.

Já com a mão no nariz dele e entrando no estado de atenção flutuante mais uma vez, ela bem disse em voz alta o fato de não fazer tipo ou pose, pois se esse fosse o caso, a máscara teria caído naquele dia. Sorte dela é que a única coisa que afirma sobre si mesma é: “eu não sou normal”. Ele concordou.

16 de novembro de 2006

 

E é assim que imagino o martelo que tem me acordado nos últimos dias, ele todo feliz por estar cumprindo sua missão e eu querendo mais é que ele martele o dedo de quem começa o dia empunhando-o e acordando a vizinhança toda.

Devia ter uma lei que só permitisse martelar depois das 13:00 horas.

E imagina ai o meu mal humor TPeMico com essas façanhas?

Pra ajudar a panturrilha levemente distendida hoje danou-se de vez subindo a escada e agora mal consigo pisar no chão. Fala sério! Começo a desconfiar que tenho uma relação cármica com essa escada...

15 de novembro de 2006

Amor, o nosso Deus de pés de barro.


Num dos trabalhos que faço estamos aprofundando a discussão em torno do amor e isso começou pela desmistificação do ideal romântico criado para manter e efetivar o poder, tanto nominal quanto econômico, e que acabou por substituir Deus na atualidade, se tornando, na nossa compreensão, a única e imprescindível forma de sermos felizes. Pede-se ao amor hoje em dia o que se pedia a Deus antigamente. Espera-se que o amor nos faça sentir todo o prazer e satisfação que antes obtínhamos de várias fontes.

Isso se tornou algo tão sério e internalizado que hoje nos medimos - e somos medidos - no nosso valor pessoal pela nossa capacidade em conquistar e manter alguém. Você pode ser ótimo em todas as áreas da sua vida, mas se for solteiro provavelmente se sentirá como uma grande porcaria, e o contrário também se aplica: uma pessoa pode ser a expressão absoluta da mediocridade em todos os aspectos da sua vida, e no entanto, se conseguir manter relacionamentos estáveis e duradouros é bem provável que tenha de si - e que tenham dela - uma avaliação muito positiva.

Só por ai podemos começar a pensar o preço que nos cobra esse ideal de amor inatingível que colocam e assumimos como meta das nossas vidas. Um amor que tem de ser heróico a ponto de justificar o abandono de nós mesmos em função de sermos completamente satisfeitos pelo outro e, já não bastasse isso, pela responsabilidade de satisfazê-lo com igual plenitude. Sim, porque nesse amor temos de ser o ar que ele respira tanto quanto ele tem de ser o nosso. E isso se aplica às variações de "concessões" que fazemos e que a principio usamos para justificar aos nossos próprios olhos nos dizendo que permitimos que o outro tenha uma existência própria sim. Permitimos, porém desde que essa existência seja entranhada pela nossa, quiçá subjugada. Ambos podemos trabalhar, mas o trabalho jamais pode ser mais importante do que as nossas existências e jamais suplantar as nossas necessidades; é lícito que se tenha diversão, no entanto, desde que, de longe ou de perto, sejamos, mutuamente, o passatempo preferido um do outro. E isso só para dar uma parca idéia do que falo.

Se você ainda não conseguiu perceber porque esse ideal de amor é inatingível eu simplifico e conto: porque esperamos que o outro faça por nós o que só nós podemos fazer e, principalmente, porque nos propomos a fazer pelo outro o impossível.

O que o amor nos assegura então, configurado desta forma é, 99% das vezes, frustração por não termos nossas necessidades atendidas e impotência ao percebemos que nem com nossos melhores esforços conseguimos atender as necessidades alheias.

E isso acontece não é por maldade alheia ou incompetência nossa não. Acontece porque nossas necessidades se transformam e novas se criam constantemente em acordo com a nossa psique que é mutante. Então, por melhor que seja a intenção que se tenha a única coisa certa é que frustrações e impotência sempre farão parte de qualquer relação amorosa, porém naquela que é baseada em falsas premissas a quantidade acaba por ser massacrante e nos faz sentir uma infelicidade profunda.

O que concluímos após essa primeira rodada de discussões é que o amor – não romântico, mas de fato – só pode acontecer quando cada um se incumbe da responsabilidade de se fazer feliz e se propõe a compartilhar com o outro esse processo de conquista, até contando com a sua colaboração efetiva para que a felicidade ocorra sem, no entanto, depositar sobre os ombros alheios a obrigação de nos fazer feliz.
 

E desta vez a TPM é raivosa, ou seja, o slogan é: estou na TPM, não é impressão: eu mordo!

Impressionante como tudo irrita e faz despertar o gênio bravio. E sim, lágrimas existem, mas são de pura gana. A melhor coisa que tenho a fazer é me afastar de tudo e todos, pois a probabilidade de eu comprar uma briga enorme por bobagem é de aproximadamente 99,99%.

Então se você está pensando em me procurar para conversas difíceis ou até desabafar, saiba que o que pode receber de volta é algo muito diferente do esperado, mas talvez até mais precioso desde que você não se assuste com a minha irritação característica do período.

13 de novembro de 2006

 



Nesta minha retomada profissional, um dos temas mais recorrentes com o qual tenho me deparado é aquele que fala do quanto as pessoas insistem em permanecerem numa estória que não vai “dar em nada”, por que se recusam a encarar que desperdiçaram tempo e energia investindo numa “barca furada”.

É muito mais difícil abrir mão dos sonhos e das expectativas, mesmo que frustradas, do que da realidade. Isso faz com que as pessoas insistam em tentar e tentar e tentar até não agüentar mais, mesmo quando tudo evidencia que o melhor seria deixar para lá e seguir em frente, porém em outra direção. Mas não, elas acham que não podem “desperdiçar” o que já investiram e seguem lá, insistindo. Não se dão conta que estão se desperdiçando mais ainda já que raramente a insistência muda o rumo de uma história. Quando olham para trás e avaliam a própria vida, reconhecem que teriam ganhado muito mais em desistir e ter ido cuidar de fazer outra coisa.

Com isso concluí que desistir nem sempre é sinal de fraqueza, muito pelo contrário: é sinal de inteligência emocional.
 

Esta é a árvore que tem defronte à minha casa. A foto não é nítida porque foi feita com o celular, mas dá pra perceber pequenos pontos amarelos nela né? São pequenas e delicadas flores que nascem e perfumam de tal jeito, que me pego respirando mais fundo inúmeras vezes no dia só para sorver do aroma. É um permufe delicado e nada enjoativo, mas tão penetrante que qualquer pessoa que chega aqui se questiona de onde virá, sem se dar conta que é da árvore.

E nem sonho como chama essa árvore, porém, com certeza, terei muitas delas plantadas ao derredor da casa que construirei, pois para mim é esse o cheiro do paraíso.

12 de novembro de 2006

 

Vou deixar Deus falar por mim:

Gêmeos:

12 novembro 2006

O mais importante relacionamento não é o que você mantenha com outras pessoas, mas o que estabelecer com sua própria alma, com aquele morador interno que, das profundezas do coração, guia seus passos pelo melhor caminho possível.


Quiroga

11 de novembro de 2006

 

Tal Fênix

Essa noite refleti profundamente e percebi que sou dona absoluta do meu destino e que só é importante para mim o que deixo ser importante. Sou senhora aboluta dos meus pensamentos e sentimentos.

Então fiz uma limpeza total, completa e absoluta de tudo o que dentro de mim me atrapalhava empacando a minha vida, tomando uma energia que preciso usar todinha para ser feliz. Perdoei a mim mesma por todos os meus erros e enganos; zerei todas as ilusões que tinha em aberto e que causaram os meus desarcetos emocionais, aceitei todos os meus insucessos, sorri de todas desilusões e deixei o passado no passado.

É como se eu tivesse feito uma formatação interna: desinstalei tudo e reinstalei de novo, só que tudo livre de conteúdos negativos. Todas as pessoas que um dia fizeram parte da minha vida hoje estão aqui novamente, só que zeradas, nada sinto por elas para além de amor e carinho. Os vírus da mágoa e do ressentimento foram retirados e reforcei o anti-vírus por que não quero morrer de câncer. A raiva foi armazenada de forma que se libere apenas constelada enquanto "santa ira", que preserva e não destrói. As tristezas não têm como serem evitadas, porém virão em quantidade limitada de lágrimas.

Já a alegria, a docilidade, o sorriso largo, a risada divertida, o abraço aconchegante, a capacidade de compreender e não julgar, a capacidade de perdoar e esquecer, a de recomeçar depois de cada tombo, a força de seguir em frente sempre, a paciência, a marotice, a molecagem, a festividade, a prosperidade no sentir, a fé, a confiança, a lealdade, a sinceridade, a sensibilidade, a sensualidade, a sexualidade e a capacidade de amar sempre mais e mais e mesmo que a todos pareçam impossível estão em mim agora dispostas de forma a serem facilmente acessadas e usadas não apenas por mim, mas por todos os que quiserem usufruirem do que tenho de melhor.

Essa sou eu. Essa é a vida que quero e terei para mim e que oferecerei à todos que me cercam: rica e abundante em todos os sentidos.

Todas as mesquinharias estão e ficarão do lado de fora.

Uma nova vida para uma velha Marie.

Bem vindo à minha nova vida!

6 de novembro de 2006

 

Reflexões...


Quanto mais reflito sobre as pessoas que praticam a patrulha moral, mais concluo que esse tipo de gente é quem são os verdadeiros demônios que habitam o nosso mundo, uma vez que são os que portam o mal dentro de si e os projetam nas ações alheias ininterruptamente, considerando-as sempre de maneira pejorativa. É lugar comum na psicologia o conhecimento de que só se consegue reconhecer no outro aquilo que existe dentro de nós. Isso me faz lembrar o que acontece com a laranja podre num cesto cercado por frutos sadios: sozinha ela consegue apodrecer todas as demais, por isso é retirada. Digo isso por serem essas pessoas tão malévolas e prepotentes, que se colocam acima de Deus – aquele mesmo que geralmente batem no peito para dizerem que amam e respeitam – considerando errado, feio e pecaminoso aquilo que Ele criou. Sim, porque o sexo e o prazer que lhe é inerente são obras divinas.

Foi Deus quem escolheu esta como maneira ideal de nos reproduzirmos e perpetuarmos a espécie; e também foi Ele quem achou que isso deveria ser feito com uma gama de prazer intenso. Resumidamente, foi Deus, e não o homem, quem criou a sexualidade como ela é, do mesmo jeito que criou em mim terminações nervosas tão sensíveis que são capazes de me fazer ficar plenamente excitada a um simples sussurrar de voz grave ao pé do ouvido. Foi Deus, não eu.

Mas o homem, sempre de posse da sua total ignorância e prepotência, dá um jeito de corromper o que é divino transformando o que é sagrado em promíscuo. Sim, pois o sexo associado ao amor romântico é criação do homem e não de Deus. Isso se comprova percebendo que somos capazes de sentir tesão simplesmente imaginando uma cena sensual com alguém que sequer conhecemos. E Deus nos fez assim por ter pensado em tudo, até na possibilidade de um dia só restarem sobre a terra um homem e uma mulher que não conseguem se amar, mas que mesmo assim, terão a incumbência de recomeçarem a humanidade, e já sabe né? Se ambos não se excitarem não ocorre penetração e nem a conseqüente fecundação, ou seja, nada de filhinhos a caminho. Aliás, me ocorreu agora que a bíblia nunca mencionou que Adão e Eva amavam-se. Adão foi feito - e Eva também - e postos no paraíso. Era só o que tinham: um ao outro; o amor estava fora dessa história. Deus não disse a eles: “amai-vos”, mas sim: “Crescei e multiplicai-vos; e não comei dos frutos da árvore proibida”. Nada, nem uma vírgula sobre o amor. Isso para quem crê ser essa a história do desenvolvimento humano. Eu não creio.

Acredito na evolução do Homo Sapiens e aí sim vejo Deus em toda sua sabedoria, pois Ele nunca associou o “crescei e multiplicáivos” à fidelidade e ao amor. Se acompanharmos a história da evolução humana, vamos descobrir que é apenas na idade média que - e vinculada à idéia de que o senhor feudal precisava garantir que sua herança seria desfrutada unicamente pelos seus legítimos herdeiros - se associa a idéia de fidelidade ao casamento. Porém como isso não teve muito resultado a principio, precisaram criar uma forma de incutir esse conceito de maneira definitiva nas pessoas, o que foi alcançado com êxito no momento em que associaram o casamento e à fidelidade o ideal de amor romântico. Com isso fica fácil perceber que o que os moralistas defendem como uma forma lícita espiritualmente de se fazer sexo, porque validada pelo amor, é criação dos homens e não de Deus e pior: algo criado apenas para atender a uma necessidade materialista, ou seja, nada tem a ver com o espiritual.

E, no entanto, o que mais me choca é a hipocrisia com que essa gente perpetua essa farsa achando que são morais só porque fazem sexo dentro do casamento, mesmo que este seja sem amor. E o fazem apenas por que está escrito num papel – o que faz com que o casamento mais se assemelhe a uma escritura de propriedade do que com qualquer outra coisa. Afinal é sabido que em mais de 80% das relações que se perpetuam como estáveis até o fim da vida, que isso não acontece em nome do amor e sim de outros interesses e até mesmo do comodismo. É desta forma que as pessoas conseguem se enganar quanto a que fazer sexo com um parceiro fixo, mesmo que sem amor, seja menos promíscuo do que fazê-lo com alguém por quem se esteja genuinamente interessado, mas com quem não se tem nenhum compromisso firmado, pois ainda não se sabe se é amor o que se sente; e mais: atribuem isso à Vontade Divina. Mas será? Será mesmo que Deus, tão perfeito e magnificente, vai se deixar enganar pela cupidez humana e se permitir submeter às nossas enganosas leis? Não né? Não!

Explico tudo isso para justificar porque para mim estes são os verdadeiros demônios da humanidade, denunciando os mecanismos nos quais elas se engendram e através dos quais nos julgam e rotulam. Eles não são “o grande e visível mal” que podemos combater com prisões, educação e resoluções econômicas. São o aparente “pequeno mal” que habita nossas vidas e moram, às vezes, dentro das nossas casas, ou as visitam com freqüência. Para dar-se cabo desse mal é preciso primeiro tomar consciência da sua existência dentro de nós e segundo, perpetrar uma reforma íntima baseada numa reeducação afetiva que e muito mais difícil de empreender do que qualquer outra coisa nessa vida, já que exige vigilância constante e capacidade de reconhecer a nossa capacidade de nos enganarmos conosco mesmo. Este é o mais nocivo dos males, pois se insinua nas pequenas ações cotidianas e contamina com desamor e baixa auto-estima a vida das pessoas. É o mal que nega um abraço e uma palavra de consolo. É o mal que destrói continua e cotidianamente as vidas das pessoas ao seu derredor, sem usar uma arma.

Aqui na internet, vez ou outra essas pessoas aparecem através de e-mails e comentários grotescos que tentam atacar as pessoas em suas fragilidades. E-mails e comentários anônimos, é claro, pois uma das sabidas características do diabo é agir sem jamais mostrar sua verdadeira face. E fazem isso porque provavelmente são justamente aquelas pessoas conhecidas no meio pelas mensagens bonitinhas e inofensivas que mandam e que no anonimato conferido pelo computador, enviam mensagens onde evidenciam a sua verdadeira personalidade.

Eu nunca recebi essas mensagens, mas não entendo a política do deixar para lá que a grande maioria das pessoas adotam, pois no meu mundo o mal jamais vence o bem uma vez que ele jamais se cala ou se submete.

Para finalizar quero dizer que não acredito que a maioria aqui seja do mal, acho que são mesmo é pessoas que optam por levar vida de gado. Penso que são, na verdade, como vasos cheios de terra e adubo prontos para que se plantem neles, fazendo assim com que sejam o que forem as suas sementes. Infelizmente percebemos que dificilmente esta será uma boa lavoura e tão pouco uma boa colheita.

29 de outubro de 2006

 



Mulherzinha, um halloween cotidiano.


Que mulher é um bicho esquisito todo mundo está careca de saber. Porém existe um tipo de mulher que é o top de linha no quesito esquisitice. É a mulherzinha do mal.

Existem dois tipos de mulherzinha: as do bem e as do mal. Mulherzinha do bem gosta de se cuidar e gasta dinheiro tanto no cabeleireiro quanto em lojas de roupas, sapatos e academias. Mas não é fútil. Geralmente é engajada em causas sociais, politicamente envolvida com a sua realidade; é alguém legal e bem humorada; é emocionalmente saudável, pois sabe que pode ser a melhor pessoa do universo e que nem isso garante que será amada e querida por todos os que a cercam. É bem educada de verdade, sem necessidade de regras e não perde tempo cuidando da vida alheia, pois acredita que a diversidade é criativa e ajuda na evolução humana.

Mulherzinha do mal - a que me interessa analisar nessa crônica - faz tudo o que a do bem faz, mas pelos motivos errados. Gasta o mesmo dinheiro com as mesmas coisas, mas é fútil ao extremo; tudo visa a impressão que vai causar em quem a vê de fora. Caso seja social e politicamente engajada é pelos benefícios de ser avaliada positivamente e não por visar o bem alheio. Geralmente é mimada e cheia de birras, mas como sabe que ninguém tolera pessoas assim, finge não ser usando de uma educação forçada e forjada em regras de etiqueta que muitas vezes inventa ou modifica para atenderem às suas mesquinhas necessidades.

Mas se você quiser mesmo identificar uma mulherzinha do mal, rejeite-a. É, rejeite-a. Faça isso e prepare-se para ver vir à tona a figura suprema do despeito. E não existe nada pior neste mundo do que uma mulher despeitada, pois ela é capaz das piores baixarias que um ser humano pode dar, mesmo que as envolva em sutilezas e máscaras ou que se esconda para praticá-las. Trocando em miúdos: toda barraqueira é mulherzinha, porém nem toda mulherzinha do mal é barraqueira. Isso posto, não espere que esse tipo de mulherzinha tire a máscara em público, não. Em público ela seguirá fingindo erudição, delicadeza e sensibilidade mesmo que esteja longe de possuir isso tudo. E através de uma aura de articulação e num discurso que aparentará ser politicamente correto (para os que não têm ouvidos de ouvir), vai falar mal de você para quem quiser e se dispuser a ouvir.

E tudo isso porque na mente dela é inconcebível que alguém ouse não amá-la ou querê-la. E quem ousa tanto só merece um destino mesmo: a morte. Mas como ela não vai se arriscar a passar o resto da vida na cadeia assassinando alguém – é mulherzinha, não burra... Ou não tão burra, vai - irá empenhar-se em matá-lo socialmente, transformando o rejeitador, aos olhos alheios, em párea da sociedade. E para isso vai usar as velhas regras de etiqueta que são apreendidas em conformidade com os seus pré-conceitos e preconceitos.

E é claro que ela perde boa parte do tempo precioso da sua vida cuidando da existência alheia, e julgando as pessoas que vivem ao seu derredor, sempre negativamente, uma vez que nada ou ninguém que seja diferente do que ela é pode ser realmente bom, já que julgar o diferente melhor, implica, na cabecinha dela, em não se ver como boa e isso acaba arremessando-a de encontro à insegurança aflitiva que é a realidade da sua natureza. Então, tudo da mulherzinha do mal é o melhor, desde o cotonete, marido, filhos, namorado, amante e até amigos. E, no entanto, e apesar de viver se vangloriando de si mesma, não admite que o faça exalando, assim, uma constante aura de falsa humildade. Ai está uma outra maneira de denunciar uma mulherzinha do mal: diga-lhe que algo que você ou alguém tem é melhor do que o dela e a veja querer provar, por todos os meios ao seu alcance, que você está completa e redondamente enganado.

Um dos indícios mais seguros de que estamos convivendo com uma mulherzinha do mal é que nos perguntarmos com uma certa constância quando a ouvimos: “ mas como assim, ela fala do outro sendo que faz o mesmo”? Ou: “será que falta espelho na casa dela”? Pois é, meus amigos, cuidado! Mulherzinha, tem uma sempre bem perto de você.

22 de outubro de 2006

 

E ver esse moço vencer o GP de Fórmula 1 hoje, trouxe saudades do Airton Senna, não é não?

E graças a Deus curti um domingo tranquilo e sem TPM. Já não era sem tempo!

É, eu sei que ando falando nada com nada nesse blog, mas é por pura tentativa de evitar assuntos e palavras rudes...

21 de outubro de 2006

 

A TPM é chorosa dessa vez, mas num grau como há muito não via. A sensação é de que tudo o que varri para baixo do tapete nesse último mês, assim como todas as lágrimas que me recusei a chorar, estamparam-se na minha cara. E hoje acordei sete e meia da manhã com dor de cabeça e uma vontade tremenda de chorar. Chorei por uma hora, virei pro lado e voltei a dormir novamente. Se foi sonho ou se foram reminiscências não sei. Também não importa. Choro se me dizem oi ou se não me dizem. Choro se demonstram que se importam ou não. Choro no meio do riso. Choro escrevendo esse post, choro escrevendoa carta que não vou mandar. Choro. E eu sei qual é a minha tristeza do mesmo jeito que sei que ela não tem solução. Porém espero sinceramente que eu menstrue amanhã, pois mais um dia assim estarei extremanente tentada a cortar os pulsos.

Haverá paz na morte?

16 de outubro de 2006

 

Às vezes a vida é pra ser comida aos bocados, pois é tão boa quanto um pavê de morangos!

10 de outubro de 2006

 

Jurei, mas não dá!



Jurei-me que não ia falar sobre política, mas fica difícil cumprir esse juramento diante do grau de argumentação que leio e escuto por ai para se votar no Lula e não no Geraldo Alckmin. As pessoas têm o direito de votarem em quem quiserem, por crença ou descrença, porém se resolvem justificar o seu voto, que o façam, mas evitem as bobagens.

Por mim começo dizendo que demitiria sumariamente qualquer funcionário, tivesse ele a escolaridade que tivesse, sob a incumbência do qual deixei um departamento e que a cada vez que eu o questionasse sobre o que saiu errado ali me respondesse: “não, sei, não vi, não fui avisado”. Você não pode ser muitas coisas na Presidência da República de um país, mas omisso é algo que você não pode ser em hipótese nenhuma.

Outra justificativa absurda é aquela que diz que não votarão no Alckmin por ele ser rico. E como isso me lembra discurso religioso que glorifica a pobreza como o caminho para o reino dos céus: “não apóie o rico! Todo rico é mal e vai arder no fogo do inferno por explorar os pobres”. Como se nenhum rico tivesse batalhado muito o dinheiro que tem e não trabalhasse muito para mantê-lo também. Como se a riqueza não gerasse empregos e prosperidade e não movesse o mundo oferecendo a vara com a qual se pescar e não o peixe. Bonito mesmo é exibir os números do assistencialismo que o Lula e seu partido promoveram durante quatro anos como se fossem grandes conquistas do país e da população carente, ao invés de perguntar-lhes porque também não fizeram o que sempre, enquanto oposição, diziam ser prioridade no Brasil para que esse gerasse mais empregos e que é a reforma tributária e fiscal. É fácil acusar o empresário de ganancioso e explorador e assim isentar-se de diminuir a carga tributária que se paga sobre o salário do trabalhador que nesse país é tão massacrante que coíbe o crescimento do investimento produtivo que sempre gera milhares de empregos.

E em que momento nós passamos a acreditar que receber esmola é mais digno do que receber salário?

Escuto e leio muito: “FHC nunca mais”!!! E me pergunto silenciosamente se o povo bebeu, é isso? Que conversinha é essa, sendo que o plano econômico que o país vem executando há mais de doze anos e no qual o Lula não mexeu um milímetro, é exatamente aquele que o Fernando Henrique Cardoso pôs em prática enquanto Ministro da Fazenda do governo do Sr. Itamar Franco? Se o Brasil hoje tem visibilidade e respeito econômico, se o governo Lula conseguiu reverter a situação junto ao FMI pela primeira vez na história do país, foi justamente porque teve a sapiência - talvez única - de não chegar ao poder dizendo que estava tudo errado e recomeçar do zero. E tem mais: usando a reserva econômica que o Fernando Collor de Melo deixou, mesmo tendo um curto mandato e fazendo tudo o que fez. Sem essas coisas nós seriamos ainda um país a naufragar e sem qualquer credibilidade, mesmo entre as nações mais pobres. Traduzindo, a verdade é uma só: ou você tem dinheiro em caixa e demonstra estabilidade econômica, para ser respeitado enquanto país, ou nada feito. E não se iluda: somos, como qualquer país, extremamente dependentes das nossas relações exteriores.

Ah! As privatizações e o dinheiro que ninguém viu... Não sei se as privatizações foram a melhor solução, de verdade. Mas o que sei é que no Brasil imperava uma mentalidade de reserva de mercado que vinha nos relegando aos últimos lugares do desenvolvimento científico e industrial e nos transformando num país sucatado tecnologicamente. O que sei também, é que aqui não existiam pessoas aptas para entrarem na concorrência, pois o governo detinha empresas e tecnologia e assim, mesmo quem tinha capital nacional com o qual comprar, se o fizesse não saberia como operar. Engraçado é que mesmo após anos de abertura comercial e embora tenham dinheiro, ainda não existe ninguém no país disposto a entrar no negócio... Estranho né? Minimamente estranho.

É o dinheiro ninguém viu, concordo. Mas também esse não é o primeiro dinheiro a desaparecer. Aliás, ô país para saberem fazer mágicas de aparecer e desaparecer dinheiro quando se é político! Pois eu que sou do povão, só sei é fazer desaparecer mesmo e ficar apertada mais de quinze dias no mês, não importa de quem seja o governo... É, qualquer dinheiro que eles políticos fazem desaparecer do nosso bolso também desaparece das ações sociais que deveriam prover. Veja o dinheiro gerado pela cobrança do CPMF que, sim, foi implantado pelo José Serra no governo FHC, PSDB e bláblábláblá... E, no entanto, já se vão quatro anos de um governo Lula e nem assim o dinheiro apareceu. Ou apareceu comprando dossiês, na cueca ou em mensalões de muitos só que ninguém assume? E isso com todo mundo vendo como está a saúde no nosso país...

E pode ganhar a eleição quem quiser, enquanto o legislativo desse país não sofrer alterações profundas, nada vai mudar. Enquanto o povo não aprender a não eleger Maluf e Collor a coisa não vai para frente não. Tudo bem, todo mundo merece uma segunda chance, acredito piamente que somos capazes de aprender com os nossos próprios erros, mas ninguém pode recomeçar por baixo não? Tem de ser logo como Deputado Federal e Senador?

Enfim, é sempre assim: tudo tem vários lados e governar esse país não é fácil nem pro Lula, nem pro Alckmin e nem para Jesus Cristo caso este nascesse de novo e quisesse ser mártir se imolando ao povo brasileiro. Porque juro que quando vejo esse circo todo armado não consigo deixar de pensar naquela piadinha onde São Pedro reclama de Deus não ter posto catástrofes naturais nesse país, ao que Ele responde:

- Espera só pra ver o povinho que pus lá.

8 de outubro de 2006


Retrato em grafite de Otávio Augusto Marim que gentilmente me cedeu sua imagem.




As palavras secaram...



E deram lugar aos traços que em mim,

feito lagarta,

encasularam-se por muito tempo

para então voltarem a me fazer borboleta.








Obs.: foto feita com a webcam, quando eu conseguir uma foto digital do desenho, substituo.

6 de outubro de 2006

 

Terça-feira 14:30 hrs, uma mulher pára o trânsito na Alameda Santos e atravessa trinta e três idosos com idade entre 62 e 83 anos que vão ao cine BomBril para descobrirem que deveriam estar no Cine Unibanco. Toca a mesma mulher atravessar a Av. Paulista e descer duas quadras da Rua Augusta sentido centro com suas "crianças". E como fazer para que nenhum fique pelo meio do caminho já que alguns nunca estiveram por ali e cada um anda no rítmo que a idade e a saúde lhes permite? Resolve então andar à frente do grupo com uma mão levantada, acenando e assim garante, pelas brincadeiras que escuta atrás de si - os idosos começam a cantar: "o que é que a baiana tem", e ela mexe as mãozinhas na cadência da música - e pelas risadas e mãos levantadas dos trauseuntes que vem em sentido contrário ao dela no farol, que sim, está sendo vista por todos.

Em frente ao Boteco BH, na Augusta, teve de parar novamente o trânsito afim de que todos atravessem em segurança, mas uma ignorante: "porque o farol tá aberto pra mim" toca o carro em cima de todos. E então ela grita a pleno pulmões: "Sua burra! Onde é que vai chegar mais cedo por se negar a pisar no breque e esperar alguns minutos para deixar as pessoas atravessarem? Não vai envelhecer não sua ignorante"? A mulher ouviu, pois reduziu muito a velocidade do carro, talvez parando pra olhar em volta de si de uma maneira mais ampla, pela primeira vez na vida. Todos a ouviram, pois quando volta sua atenção para o círculo mais imediato ao seu redor, percebe que parou bem mais do que o trânsito; todos olham para ela. Dane-se! Mexeu com seus velhinhos, mexeu com o lado mais bravo dela.

Todos chegam ilesos ao cinema e vão alegres assistir: "Eu me lembro". Os velhinhos saem desconsolados: "ô filme ruim". Mas não é ruim. São as memórias de alguém e nem todos têm memórias bonitinhas para lembrar, como nem todos enfeitam o que lembrar.

Saem de novo em direção à Paulista para tomarem um chá no Viena - que lhes fez um super desconto e um super atendimento - só que desta vez ela não está só na condução do grupo: o coordenador e a estagiária de psicologia estão com eles agora e, então, o caminhar é MUITO mais tranquilo.

Quando estão novamente aguardando o ônibus que os levarão de volta ao ponto de partida - o Hospital do Mandaqui - escuta duas coisas que lhe chamam a atenção: a primeira é uma das meninas que se disse admirada do jeito resoluto dela de resolver os problemas e conduzir o grupo, pois quando viu que teriam de atravessar a rua pensou: "xiiiiiiii, ela vai ter de parar... Nossa! Ela já parou o transito"! E contou que isso a deixou muito tranquila em estar sob os seus cuidados. A outra foi um comentário feito por uma outra das meninas de que o que ela mais gostava era de sentir que ela tinha prazer em estar na companhia deles; que sentia que ela se divertia com eles do mesmo jeito que eles se divertiam com ela e que tem paciência com eles, o que falta na maioria das pessoas, principalmente nos jovens. A isto ela respondeu prontamente: "as pessoas que não têm paciência consigo mesmas jamais a terão com os outros; sejam eles crianças, jovens ou velhos".

E tudo isso foi propiciado pelo Centro de Referência do Idoso do Hospital do Mandaqui que inclusive disponibilizou um celular - já que ainda não tenho um - para que caso algo acontecesse, eu tivesse como comunicar-me rapidamente e tomar as providências necessárias. Quando o Estado tem vontade, faz as parceiras certas (nesse caso com o Hospital Santa Catarina) e as coisas acontecem beneficiando a população.

2 de outubro de 2006

 


"...com o passar dos anos se transformou numa afirmação de que realmente acredito que a responsabilidade pelo que me aconteceu estava na minha beleza e que tenho de evitar que isso volte a acontecer tornando-me não desejável e incapaz de reconhecer-me bonita."

Explica. E explica bem pra eu parar de tamborilar os dedos no teclado.


Como eu tenho MUITO temor desses dedinhos quando tamborilam, aqui vai a explicação (brincadeira, vai porque hoje aconteceu algo espetacular):

O que quis dizer nessa frase acima é que o movimento que me serviu de proteção num primeiro momento, acabou se transformando numa prisão na medida em que confirma a fala do abusador. Por quê? Porque se eu não acreditar que minha beleza me põe em risco, não existe do que me defender ou proteger; se me protejo e defendo é porque também acredito que ela me causa problemas e assim, mesmo que inconscientemente, valido a justificativa dele e retiro de mim o direito de ser mulher na minha amplitude. É como se me permitisse ser mulher, porém com moderação, nada muito exagerado que desperte a atenção e o desejo alheio sobre mim.

Só que o verbo aqui é: acreditava, não acredito mais.

No entanto, o que foi bárbaro hoje foi assistir o Gasparetto. Sim, eu não canso de recomendá-lo aos amigos, pois o cara é mesmo BOM! Eu nem estava vendo o programa, estava faxinando a casa quando ouvi minha mãe avisando que era pra eu parar e para ver o programa, pois ia me interessar. Ligo a TV e me deparo com duas obesas e o tema era: traumas da infância podem causar obesidade. Uma delas não tem quase nada a ver comigo, mas a outra...

Não vou contar o programa em por menores, me basta dizer que pela primeira vez na vida me senti muito aliviada porque senti minhas percepções completamente validadas quando o Gasparetto afirmou que esse tipo de obesidade que configuro - onde rosto, mãos e canelas finos em relação ao corpo - é característico de quem está se defendendo algum aspecto seu. O mais interessante é quando ele diz também que quem está se defendendo engorda até com o copo d’água que toma. Eu tive um namorado que dizia: “não olha! Você engorda de olhar, não de comer”. E não Gui, não estou dizendo que isso me exclui de fazer dieta, porém pondera que nada vai me emagrecer enquanto eu não me liberar da obrigação de me defender do que não precisa mais ser defendido e soltar a minha mulher.

Eu chorei muito vendo o programa, muito. Acho que poucas pessoas sabem o alívio de você ter alguém, mesmo que ele nem te conheça, validando a sua percepção e dizendo mesmo que indiretamente: “Não, você não é louca. Isso que você percebe que acontece consigo, acontece mesmo e mais: acontece com muitas pessoas que também passaram por isso que você passou, você não é a única”. E disse mais: “da mesma forma que você construiu isso, você pode desconstruir. Você, e só você, pode se libertar para ser a mulher que nasceu para ser”.

Disse muita coisa que me foi importante ouvir, como, por exemplo, que a obesidade nunca me protegeu de ser amada ou desejada sexualmente pelos homens, porém reduziu esse fenômeno para um volume que me permitia me sentir no controle e, consequentemente, segura.

Porém importante hoje também foi compartilhar esse momento com a minha mãe. Eu contei do abuso há anos atrás numa terapia de família para ela e meus irmãos e nunca mais tocamos no assunto. E eu nem culpo ninguém não sabe? Porque é mesmo muito frustrante você ter de lidar com o fato de que não conseguiu proteger uma criança de todos os perigos da vida. Muito frustrante mesmo. Mas às vezes me perguntava se eles de vez em quando pensavam nisso ou se era algo que o tempo havia engolido e só existia em mim. Hoje vi que minha mãe pensa, não é algo que foi empurrado para baixo do tapete; é algo com que todos têm de conviver e que todos têm de superar.

Já disse que chorei muito vendo o programa. Quando acabou a sensação que tinha era a de que finalmente soltei uma pedra imensa que carreguei por anos a fio. Senti tão forte isso que meus ombros passaram a doer na hora; aquela mesma dor que a gente sente quando larga algo muito pesado que trazia nas mãos? Pois Ai olhei pela janela o céu azul e agradeci a Deus com a mais absoluta sinceridade, pois Ele tem me enviado os elementos necessários para resolver essa questão desde o momento no qual me predispus a isso com a maior seriedade que tenho. Comecei uma oração chorando de felicidade e a acabei gargalhando entre lágrimas abundantes. Literalmente chorei às gargalhadas, tamanha alegria senti por estar finalmente livre!!!

Pensei também no meu abusador hoje. Coisa que raramente faço. Será que ele se lembra, será que reconhece que me fez mal, será que se arrepende? Não sei. De qualquer forma, do fundo do meu coração, eu o perdôo pelo que me fez. Perdôo. Perdôo e peço a Deus que se compadeça dele, pois deve ser horrível uma pessoa dominada pelo sexo, como ele provavelmente em, a ponto de perder a noção de respeito por si mesmo e pelo próximo. Deve ser horrível ser mandado por um instinto.

E não, não vou aparecer magríssima amanhã – e nem nunca que não é meu biótipo - vai levar um tempinho, vou me liberando aos poucos, mas eu vou aparecer do meu real tamanho e peso em breve. E dessa vez se algum engraçadinho resolver cruzar o meu caminho, chamo a polícia na hora!

1 de outubro de 2006

 

Hoje eu sonhei que morria. Estava internada num hospital e sabia que ia morrer, e não estava com medo de morrer, pois sabia que era inevitável.

Pedi à prima que me fazia companhia para ajudar-me a sentar na cama porque minha mãe e irmãos iam chegar e queria me despedir deles numa posição melhor. Ela o fez e quando foi buscá-los que a TV começou a emitir aquela luz branca que me avisava que minha hora tinha chegado e eu dizia: "espera, são só alguns minutos; deixa eu dar adeus à minha família"... Mas não havia jeito, a luz me sugava e eu me sentia morrendo, indo embora do meu corpo, sem medo, mas com pesar pelos últimos beijos que não dei e um certo temor frente ao novo.

Assim que terminei de morrer, acordei...

E passei o dia pensando: "Será que é assim"?