7 de junho de 2012
Hoje estou emocionada: é a véspera dos meus 45 anos. Dia no qual geralmente sento para fazer a contabilidade do ano que passou, ver as lições aprendidas, aquelas nas quais levei bomba e traçar diretrizes para o ano vindouro; é aqui, e não no Ano Novo, que me reinvento, talvez porque o tempo tenha me ensinado que pras mudanças acontecerem é preciso amadurecer...
Mas hoje, em especial, conto os 45 anos de uma vida. Tem uma sensação estranha em fazer 45... Talvez porque, feitas as contas, com sorte, completo a metade de uma existência ou porque já vivi muito mais da metade do que me foi destinado nessa passagem pela terra, vai saber... Mas o importante aqui é que vivi, sabe? Vivo.
E vivendo aprendi que não importa o quanto eu reze, chore, brigue, me faça de vítima, a vida não me poupará do trabalho que tenho de fazer – e sim, viver é trabalhoso - não porque ela seja má ou dura, mas porque ela não gosta de me ver desperdiçada. E sim, eu, exercendo o enorme potencial humano de me acomodar, vez por outra me deixo desperdiçar em um ou outro aspecto. Em contrapartida aprendi que se rezar não me livra das situações, me dá forças e inspiração para passar por elas sem me deixar aprisionar pelo mimo e seu consequente vitimismo: “porque eu”? “Ué... Porque não eu”?
Aprendi a viver sem ilusões, mas nunca sem sonho, pois é este quem me diz a direção a seguir. As ilusões não, pois são sempre impossíveis, uma vez que não se baseiam na sua realidade pessoal. E sim, pode haver sonhos difíceis de serem conquistados, que exijam mudança, empenho e persistência, mas eles sempre se realizam se você se ama.
E me amando aprendi a não me criticar, a não falar mal de mim para mim mesma, pois não sou e jamais serei perfeita. Me aceito e vou me comprometendo com a minha própria felicidade a cada dia. Percebo o que não fiz direito, colho o resultado dos meus erros, da minha ignorância, mas hoje os entendo como parte do meu aprendizado. Isso fez com que me tornasse mais tolerante comigo e com o outro, embora não implique em achar que tenha de conviver com aspectos alheios que não me agradam, já que a única convivência irrefutável é a comigo mesma. Eu aceito, mas nos deixo livre das más palavras, pensamentos e sentimentos que a convivência poderia me gerar. Pois o que eu penso, o que eu sinto e o tempo que passo pensando e sentindo determinadas coisas é que determinam o que eu sou, não minhas ações, uma vez que essas podem ser polidas pela educação.
Consequentemente aprendi que a paz mental e afetiva é a única que importa e que só posso tê-las se me recusar a gastar meu tempo em debates mentais ruins nascidos do meu orgulho ou da minha carência – são sempre eles! Hoje é tranquilo que não gostem de mim, ou do que eu acredito e falo. Até que duvidem da minha capacidade de ser feliz porque sou obesa – e muita gente duvida - uma vez que me libertei dos parâmetros do mundo. Aprendi a ser feliz “apesar de” e não “por conta de” e isso faz toda a diferença. Mas é um exercício diário, pois o felicitômetro é algo que atrofia muito fácil se você se permite entrar nos padrões que este mundo determina.
Ao mesmo tempo, não quer dizer que eu não queira ou tenha projetos de ser mais magra, por exemplo. Quer dizer apenas, que ao contrário de muitos anos na minha vida, eu não atrelo minha felicidade a isso, mesmo porque, se o fizesse, seria por pura burrice, já que vejo à minha volta tanta gente magra e infeliz. Gente que tem tudo pra ser feliz, mas não consegue e ai vive correndo atrás de fazer dietas e mudar o corpo quando é a alma que está precisando de atenção... Aceitação. Pois só podemos mudar o que aceitamos.
Aos 45 constato que tenho muito a agradecer: primeiro a Deus por nunca ter me poupado de absolutamente nada nessa vida, por sempre ter acreditado em mim mesmo quando eu estava tão descrente que pedi pra morrer... Hoje me sinto finalmente completamente pronta pra vida. Não sei explicar essa sensação, é engraçado até, mas agora consigo entender o porquê de dizerem que a vida começa aos 40.
Em segundo a minha família pelo amor incondicional e desafios de convivência que foram minha primeira e preciosa lição sobre amar a mim mesma. E mesmo àqueles que não conseguiram me amar e me ensinaram a sobreviver ao desamor. E, principalmente, a quem aprendeu a me amar com a convivência... ;-) Tias, tios, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas: vocês fazem parte do mosaico mais colorido da minha existência! E por isso, a vocês, o meu muito, muito obrigado;
E aos meus amigos; a cada um deles pelo tempo que conviveram comigo e me ensinaram lições preciosas de amor e aceitação, mesmo que a duração do convívio tenha sido curta, ou há muito não tenhamos mais contato. Ou que este seja acentuadamente virtual... Asseguro que cada um vive dentro de mim e tem seu espaço garantido no meu afeto. Em especial quero agradecer ao Guilherme Bracco por tudo o que apenas nós dois sabemos e que não se coloca em palavras;
Aos meus pacientes por me ensinarem amor incondicional nas diferenças;
E finalmente ao meu grande amor por ter, ao longo desses quase 21 anos me ensinado sobre amar e ser amada. Sobre seguir em frente sem jamais esquecer. Sobre paciência e persistência. Sobre lealdade aos próprios sentimentos. Sobre reencontro, conquista, companheirismo e limitações. Sobre superação e fé. Eu realmente não preciso de você para a manutenção de nenhum aspecto concreto da minha vida, mas te escolho, pois só com você e através de você tenho paz, amor e a felicidade que nem eu e nem ninguém é capaz de me dar. Você não é minha carência ou dependência ganhando voz travestidas de amor; você é meu mais puro querer... Enfim, você é AMOR.
Beijo grande meus amores!
18 de abril de 2012
Hoje o curso foi bem especial sabe? uma aula onde, decididamente, fui inspirada pelo Plano Astral. Não que eu não soubesse as coisas que disse, mas a maneira como elas se juntaram em minha mente e saíram pela minha boca, como alinhavei e coloquei para fora um conteúdo que nunca tinha se apresentado daquela forma nem a mim mesma, demonstra-me isso claramente.
Acho que é uma forma que o Universo achou para me responder que eu estou pronta pra montar o curso que quero.
Acho que é uma forma que o Universo achou para me responder que eu estou pronta pra montar o curso que quero.
2 de abril de 2012
Meu sobrinho mais novo - que completou 7 anos em Março - há um tempo diz que não quer namorar, casar ou ter filhos. O assunto veio à tona ontem novamente, quando nós dois lanchávamos e brinquei que aos 14,15 anos, provavelmente, estará completamente esquecido disso e aos beijos com alguma menina. Foi então que ele muito sério disse:
- Didi, vou te explicar: eu já namorei, você lembra?
- Lembro sim. A Sofia (nossa vizinha, com quem inclusive foi pego aos beijo na escada aqui de casa, pelo próprio pai).
- E eu perdi. E doeu. E então agora eu tenho medo de perder de novo e é por isso que não quero mais namorar, casar.
E eu fiquei ali olhando aquele menino de 7 anos, toda craquelada, sem saber se chorava por ele ou se o abraçava... Tão novo e já consciente que amar dói.
E foi a hora de explicar que dói mesmo e que sempre vai doer, mesmo quando ele encontrar alguém que nunca vai perder (pois as pessoas mudam e você precisa (re)aprender a amar sempre aquela pessoa), mas também que as descobertas e felicidades de se estar com alguém que realmente amamos valem a pena, a dor e uma vida.
Acho que ele entendeu...
Tomara!
- Didi, vou te explicar: eu já namorei, você lembra?
- Lembro sim. A Sofia (nossa vizinha, com quem inclusive foi pego aos beijo na escada aqui de casa, pelo próprio pai).
- E eu perdi. E doeu. E então agora eu tenho medo de perder de novo e é por isso que não quero mais namorar, casar.
E eu fiquei ali olhando aquele menino de 7 anos, toda craquelada, sem saber se chorava por ele ou se o abraçava... Tão novo e já consciente que amar dói.
E foi a hora de explicar que dói mesmo e que sempre vai doer, mesmo quando ele encontrar alguém que nunca vai perder (pois as pessoas mudam e você precisa (re)aprender a amar sempre aquela pessoa), mas também que as descobertas e felicidades de se estar com alguém que realmente amamos valem a pena, a dor e uma vida.
Acho que ele entendeu...
Tomara!
28 de março de 2012
Deixem-me explicar uma coisa: se você anda preocupado demais com o que pensam e falam de você, se gostam ou não de você, se te invejam ou não, está cometendo exatamente o mesmo erro que critica nos outros: se preocupando demais com o que o outro faz da própria vida.
Eu sei que você argumentará que é em legítima defesa, que está se protegendo, mas pare e pensa: o tempo que gasta se preocupando com o que o outro pensa de você, é tempo que não investe em si mesmo, na melhoria das suas condições e para se tornar alguém melhor. Fica ai de picuinha e depois reclama que é a inveja alheia que está te segurando. Não é não: é o seu excesso de preocupação com a própria imagem e o tempo que você gasta tentando fazer o outro criar consciência ou mudar de opinião a seu respeito.
Faça o seu melhor, seja o seu melhor e a vida, Deus, Jesus, as entidades, orixás, qualquer força natural afastará essas pessoas por uma simples questão de falta de sintonia, uma vez que somos energia atraindo energia. Se a sua é positiva, não atrairá as negativas, captou? Porém se fica ai sentindo raiva ou mágoa pelo que pensam de você, advinha o que está atraindo e captando? Isso mesmo: essas pessoas das quais diz querer se ver livre!
E tem outra né? Ninguém será 100% amado, compreendido, aceito. As pessoas mudam de opinião, inclusive a respeito de você, quando você não faz o que elas esperam, ou é mais feliz do que elas acham que você merecia. Então, abandone a ilusão de unanimidade a seu respeito e vá fazer exatamente o que pede insistentemente ao outro: cuidar da sua vida.
Beijos e tenham um dia abençoado!!
Eu sei que você argumentará que é em legítima defesa, que está se protegendo, mas pare e pensa: o tempo que gasta se preocupando com o que o outro pensa de você, é tempo que não investe em si mesmo, na melhoria das suas condições e para se tornar alguém melhor. Fica ai de picuinha e depois reclama que é a inveja alheia que está te segurando. Não é não: é o seu excesso de preocupação com a própria imagem e o tempo que você gasta tentando fazer o outro criar consciência ou mudar de opinião a seu respeito.
Faça o seu melhor, seja o seu melhor e a vida, Deus, Jesus, as entidades, orixás, qualquer força natural afastará essas pessoas por uma simples questão de falta de sintonia, uma vez que somos energia atraindo energia. Se a sua é positiva, não atrairá as negativas, captou? Porém se fica ai sentindo raiva ou mágoa pelo que pensam de você, advinha o que está atraindo e captando? Isso mesmo: essas pessoas das quais diz querer se ver livre!
E tem outra né? Ninguém será 100% amado, compreendido, aceito. As pessoas mudam de opinião, inclusive a respeito de você, quando você não faz o que elas esperam, ou é mais feliz do que elas acham que você merecia. Então, abandone a ilusão de unanimidade a seu respeito e vá fazer exatamente o que pede insistentemente ao outro: cuidar da sua vida.
Beijos e tenham um dia abençoado!!
21 de março de 2012
Houve uma época da minha vida na qual eu não via futuro para mim e, portanto, desejava morrer. Até mesmo pedia por isso. A vida me atendeu e botou-me, em 6 meses, sob a mira de um revólver; mas generosa, concedeu-me também, embora por poucos minutos - mas preciosos - a oportunidade de me rever e seguir vivendo.
O que descobri naquele momento de choque foi que meu maior inimigo era o meu medo. E que este era fruto da minha falta de fé em mim mesma. Eu não acreditava que minhas habilidades fossem capazes de reconstruir uma vida que acabara de ser destruída. Não acreditava que eu pudesse conquistar o que um dia me fora concedido. Mas ali, com um revólver apontado pra minha cabeça, entendi que pior que morrer era não me dar a oportunidade de viver. E que eu queria muito viver.
Recomecei do zero e não vou dizer que foi fácil, é fácil, visto que não cheguei onde quero, ainda. Mas é prazeroso. Cada vez que supero a mim mesma e conquisto mais um grão, sorrio honrada de mim mesma, pois só eu sei do lugar interno que parti e naquele onde estou agora. O real significado dessa conquista já que ela é fruto da superação do meu medo, mas principalmente, da recuperação da fé em mim mesma e em que minhas habilidades são capazes de me levar aonde quero.
Todo dia que nasce é uma nova oportunidade, mesmo que nem em todos os dias eu saia vitoriosa. Existem aqueles dias nos quais eu ainda me encolho e acho a batalha grande demais para mim e então choro e choro. Mas se tem algo de precioso que a vida me ensinou foi a não desistir nunca. Não importa como foi hoje, amanhã estarei novamente de pé e tentando, e assim sucessivamente até chegar lá.
E isso não quer dizer que eu, meus objetivos e a forma de conquistá-los não se transformem no caminhar. Se transformam, pois a vida é dinâmica e vivendo vou descobrindo o que realmente me faz feliz. A vida também me ensinou o desapego das minhas ideias e maneiras de "dar certo".
E se digo tudo isso é apenas pra dizer àqueles que amo, e que hoje acham que a vida está grande demais para eles, que não desistam. Não desistam de si mesmos e nem percam a fé de que as suas habilidades construirão a vida que vocês desejam, desde que vocês não se neguem a trabalhá-las com empenho e fé todos os dias.
Observe o mundo e veja que nenhuma história de sucesso nasceu de pouco trabalho, pelo contrário. O treino das habilidades para se viver é exigência desse mundo. Você pode ter herdado seu dinheiro, é verdade, mas se não treinar suas habilidades cotidianamente para mantê-lo, em pouco tempo estará pobre novamente.
A vida só não perdoa a preguiça e a ingratidão.
Tenham um dia abençoado de trabalho - interno ou externo - mas trabalho!
O que descobri naquele momento de choque foi que meu maior inimigo era o meu medo. E que este era fruto da minha falta de fé em mim mesma. Eu não acreditava que minhas habilidades fossem capazes de reconstruir uma vida que acabara de ser destruída. Não acreditava que eu pudesse conquistar o que um dia me fora concedido. Mas ali, com um revólver apontado pra minha cabeça, entendi que pior que morrer era não me dar a oportunidade de viver. E que eu queria muito viver.
Recomecei do zero e não vou dizer que foi fácil, é fácil, visto que não cheguei onde quero, ainda. Mas é prazeroso. Cada vez que supero a mim mesma e conquisto mais um grão, sorrio honrada de mim mesma, pois só eu sei do lugar interno que parti e naquele onde estou agora. O real significado dessa conquista já que ela é fruto da superação do meu medo, mas principalmente, da recuperação da fé em mim mesma e em que minhas habilidades são capazes de me levar aonde quero.
Todo dia que nasce é uma nova oportunidade, mesmo que nem em todos os dias eu saia vitoriosa. Existem aqueles dias nos quais eu ainda me encolho e acho a batalha grande demais para mim e então choro e choro. Mas se tem algo de precioso que a vida me ensinou foi a não desistir nunca. Não importa como foi hoje, amanhã estarei novamente de pé e tentando, e assim sucessivamente até chegar lá.
E isso não quer dizer que eu, meus objetivos e a forma de conquistá-los não se transformem no caminhar. Se transformam, pois a vida é dinâmica e vivendo vou descobrindo o que realmente me faz feliz. A vida também me ensinou o desapego das minhas ideias e maneiras de "dar certo".
E se digo tudo isso é apenas pra dizer àqueles que amo, e que hoje acham que a vida está grande demais para eles, que não desistam. Não desistam de si mesmos e nem percam a fé de que as suas habilidades construirão a vida que vocês desejam, desde que vocês não se neguem a trabalhá-las com empenho e fé todos os dias.
Observe o mundo e veja que nenhuma história de sucesso nasceu de pouco trabalho, pelo contrário. O treino das habilidades para se viver é exigência desse mundo. Você pode ter herdado seu dinheiro, é verdade, mas se não treinar suas habilidades cotidianamente para mantê-lo, em pouco tempo estará pobre novamente.
A vida só não perdoa a preguiça e a ingratidão.
Tenham um dia abençoado de trabalho - interno ou externo - mas trabalho!
2 de fevereiro de 2012
Maria
Molambo, na sombra e na Luz (título de um livro)
Sei que todo mundo nasce só, mas eu nasci acompanhada,
tenho certeza. Acompanhada por várias entidades e dentre elas, ela: Maria
Molambo. Minha Molambo.
Molambo prefere ser identificada como uma Pomba-Gira embora
já ultrapassado essa categorização há tempos. Mas diz que gosta, principalmente,
um tanto por isso lhe dar liberdade de trânsito em várias esferas e, outro
tanto, por adorar ver o preconceito das pessoas encarnadas e de algumas desencarnadas
também, pois, morrer não muda ninguém, a princípio.
Molambo para alguns seria aquela voz que conversa contigo inesgotavelmente
dentro da sua mente. Mas não a voz que te diz bobagens, o ego. É aquela que te
fala coisas boas, porém nunca, nunca se furta de te dar merecidas broncas. É
aquela que tira uma onda com a sua cara quando você está dramatizando, porém
jamais deixa de te dar colo quando a dor é verdadeira e necessária.
Molambo me explica as coisas da vida, liga os pontos e traz
luz a tudo o que me é obscuro. Às vezes eu acho que cheguei a conclusões excepcionais
com pouquíssimos elementos para depois descobrir que foi algo que Molambo
evidenciou. Porém, embora se ria da minha “decepção”, ela nunca se gaba: diz
que só pode agir assim porque me tem dando respaldo.
Molambo é doce, mas não a tirem do sério. Passa do carinho e
palavras doces ao olhar de fúria e palavras de fel num segundo. E ela é capaz
de ferir em alguns momentos.
Mas Molambo nem sempre foi assim; houve um tempo em que ela
era rebelde e mal-educada. Ignorante mesmo. Chegava me batendo por eu não dar-lhe
o que ela queria. Foi uma batalha e um aprendizado árduo para nós duas achar um
ponto comum e alinhar nossa evolução e tenho certeza absoluta que só o amor que
nutrimos uma pela outra possibilitou isso.
Há alguns anos Molambo seguiu em frente e nasceu numa nova
dimensão. Foi um susto e uma dor profunda para mim, pois isso acarretou numa
separação que me é, ainda, muito difícil por vezes. Eu ainda a escuto, mas é
como se a voz fosse distante, algo que precisa atravessar um enorme nevoeiro
para tornar-se claro. É assim também quando tento ver pelos olhos dela hoje em
dia: tudo difuso, confuso muitas vezes.
Ainda me sinto um tanto traída sabe? Pois na minha cabeça o
acordo era seguirmos juntas até eu desencarnar e depois também. Tem dias, como
hoje que eu queria que ela voltasse a ser em mim como antes, que eu pudesse
pensar através de nós duas e ter aquelas longas conversas que tínhamos. Hoje a
maior parte do tempo eu converso sozinha, ou com Deus, e embora Ele me
responda, não é do mesmo jeito.
Sei que tenho outras entidades e que todas são especiais e
por mim muito queridas e elas também sabem que o são e o quanto sou grata e
reconhecida por tudo o que elas fazem por mim. Entretanto, nenhuma é como a
minha Molambo.
E não tem jeito né? Ela foi e eu fiquei mesmo. Precisava
aprender a ser só, evoluir também nesse sentido. Não temos como deter o fluxo
da evolução, mas sinceramente? Sinto falta, muita falta. Mesmo que eu saiba que
jamais seria capaz de fazer algo para trazê-la de volta se estivesse ao meu
alcance. Hoje está sendo um dia difícil, de muita saudade dolorida, mas irá
passar. E um dia nós nos encontraremos e poderemos conviver num mesmo plano,
como amigas/irmãs que somos. Mas
hoje, só por hoje, vou me permitir chorar essa saudade.
Moça
Bonita
Uma rosa cor de sangue
Cintila em sua mão
Um sorriso que nas sombras
Não diz nem sim, nem não
Cintila em sua mão
Um sorriso que nas sombras
Não diz nem sim, nem não
Põe na boca a cigarrilha
E mais se ascende o olhar
Que conhece o bem e o mal
De quem quiser amar...
E mais se ascende o olhar
Que conhece o bem e o mal
De quem quiser amar...
De vermelho e negro vestindo a noite o mistério traz
De colar de cor de brinco dourado a promessa faz
Se é preciso ir você pode ir peça o que quiser
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher (bis)
De colar de cor de brinco dourado a promessa faz
Se é preciso ir você pode ir peça o que quiser
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher (bis)
E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá (bis)
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá (bis)
Oi girando lá oiê
Oi girando lá oiê
Oi girando lá oiê
Oi girando lá...
Oi girando lá oiê
Oi girando lá oiê
Oi girando lá...
31 de janeiro de 2012
27 de janeiro de 2012
Deus não ajuda quem não se ajuda.
Há algum tempo tomei uma decisão impopular - mais uma de tantas - mas essa foi fundamental e a mais impopular de todas: “eu não faço nada por alguém que possa fazer esse algo por si mesmo”. Traduzindo: qualquer favor que me peçam e que seja algo que a pessoa possa fazer por si mesma, recebe um não como resposta. Se a pessoa insiste, escuta que faz parte de regras da minha vida, embora eu nunca tenha explicado o porquê dessa decisão mais a fundo. Vou fazê-lo agora.
O primeiro grande motivo de fazer isso foi perceber que por ser alguém solícita e que gosta de ajudar, acabava lotada de coisa dos outros pra fazer. Ou seja, minha vida mesmo, que também precisava de atenção, cuidado e dedicação para eu atingir meus objetivos, acabava ficando em segundo plano. E só me toquei disso quando comecei a ver as pessoas se realizarem e eu continuar no mesmo lugar. Fui ver o porquê e percebi que gastava muito tempo fazendo coisas pros outros.
Junto a isso tem aspectos espirituais que me mostraram que ajudar demais, não é bom pra ninguém, principalmente porque as pessoas se acomodam em serem ajudadas e não desenvolvem suas habilidades.
Vou contar aqui uma historinha rápida sobre isso. Tenho uma amiga que gosta muito do meu estilo de escrever e por conta disso sempre pedia que eu o fizesse por ela; de cartas a cartões e até outros textos. Nada demais, a não ser que para escrever primeiro é preciso inspiração. Segundo: para escrever coisas íntimas é preciso que eu passe um tempo ouvindo a pessoa até entrar “na pele” dela e dizer o que ela diria. Ou seja, demanda tempo. Mas o mais difícil era achar inspiração quando eu simplesmente estava sem saco para escrever. E não adianta dizer que não está com vontade né? Quem pede o favor não quer a recusa, insiste, persiste e se bobear se ofende. Fato é que um dia eu disse a ela que não escreveria mais, pois ela era capaz de fazê-lo, que eu no máximo revisaria, acrescentaria coisas, mas o texto seria dela. O resultado prático disso é que hoje ela escreve lindos e profundos textos que me deixam cheia de orgulho dela e de mim, pois se eu não tivesse tido a coragem de me recusar – e aqui a gente sempre fica com receio de colocar a amizade em risco - ela não teria desenvolvido essa habilidade.
Para corroborar essa fase, passei alguns dias numa casa onde as pessoas pediam umas às outras vários favores. Pude observar que a maioria das vezes era por puro comodismo e me peguei perguntando: “mas pera ai, porque essa pessoa acha que o comodismo dela vale mais que o comodismo da outra”? Pronto, estava aberto o radar pra observar o que as pessoas fazem por si mesmas e o que elas delegam para os outros e percebi que um dos sentimentos predominantes no delegar é o orgulho que pode vir travestido de egoísmo, narcisismo ou mesmo de “preguiça”. Pois.
Muita gente delega por que não quer fazer coisas chatas, coisas pequenas, bobas, ou que consideram menores do que a sua capacidade. O que elas não percebem é que quando pedem para que outros façam essas mesmas coisas estão cometendo dois enganos: o primeiro é o de serem arrogantes achando que alguém pode arcar com a sua parte chata das coisas, portanto que, de alguma forma, existem pessoas com um valor menor do que o delas. Todas as coisas do mundo têm partes legais e ótimas e partes chatas, mas só algumas pessoas acreditam que merecem passar pela vida sem lidar com a parte ruim.
O segundo engano é diretamente consequência do primeiro e precisa ser pensado de um ponto de vista mais espiritual ainda. Todos ganhamos uma vida de Deus para evoluirmos. E evoluímos ao aprender. E aprender implica passar por todas as fases da vida, superar as dificuldades transformando-as em habilidades. Se você delega a parte chata ou ruim, você está fraudando seu aprendizado diante do único professor de quem não se pode enganar: Deus. A consequência direta disso é que a vida emperra. É. E emperra porque você não foi honesto e não aprendeu de verdade. E então fica preso na situação até que se resolva a fazer todas as partes para realmente aprender e seguir em frente.
Mas então eu não posso delegar, pedir favor? Pode. Quando realmente não tiver como fazer, como aprender, e parar para fazer isso causará outras perdas. Nesses casos a vida apresentará outras oportunidades e tudo flui. Também pode delegar para ensinar algo ou aprender junto. O que você não pode é ser desonesto com Deus e nem menosprezar o outro. Se a sua vida está enrolada, se você se sente tomando bomba sempre na mesma lição, pare e pense se essa não pode ser a razão.
E do ponto de vista de quem gosta de ajudar a ponto de se enrolar é preciso perceber que as pessoas não vão te amar mais por fazer o que elas te pedem. Que se te amam o farão mesmo que você não as ajude. E se não amarem é porque não amavam antes. É, "chavão", e óbvio. Eu sei, é difícil tomar essa decisão e mais ainda colocá-la em prática; a gente sua frio, morre de medo de perder todo mundo, mas um dia cria coragem e se liberta do servilismo e olha: vale a pena.
Há algum tempo tomei uma decisão impopular - mais uma de tantas - mas essa foi fundamental e a mais impopular de todas: “eu não faço nada por alguém que possa fazer esse algo por si mesmo”. Traduzindo: qualquer favor que me peçam e que seja algo que a pessoa possa fazer por si mesma, recebe um não como resposta. Se a pessoa insiste, escuta que faz parte de regras da minha vida, embora eu nunca tenha explicado o porquê dessa decisão mais a fundo. Vou fazê-lo agora.
O primeiro grande motivo de fazer isso foi perceber que por ser alguém solícita e que gosta de ajudar, acabava lotada de coisa dos outros pra fazer. Ou seja, minha vida mesmo, que também precisava de atenção, cuidado e dedicação para eu atingir meus objetivos, acabava ficando em segundo plano. E só me toquei disso quando comecei a ver as pessoas se realizarem e eu continuar no mesmo lugar. Fui ver o porquê e percebi que gastava muito tempo fazendo coisas pros outros.
Junto a isso tem aspectos espirituais que me mostraram que ajudar demais, não é bom pra ninguém, principalmente porque as pessoas se acomodam em serem ajudadas e não desenvolvem suas habilidades.
Vou contar aqui uma historinha rápida sobre isso. Tenho uma amiga que gosta muito do meu estilo de escrever e por conta disso sempre pedia que eu o fizesse por ela; de cartas a cartões e até outros textos. Nada demais, a não ser que para escrever primeiro é preciso inspiração. Segundo: para escrever coisas íntimas é preciso que eu passe um tempo ouvindo a pessoa até entrar “na pele” dela e dizer o que ela diria. Ou seja, demanda tempo. Mas o mais difícil era achar inspiração quando eu simplesmente estava sem saco para escrever. E não adianta dizer que não está com vontade né? Quem pede o favor não quer a recusa, insiste, persiste e se bobear se ofende. Fato é que um dia eu disse a ela que não escreveria mais, pois ela era capaz de fazê-lo, que eu no máximo revisaria, acrescentaria coisas, mas o texto seria dela. O resultado prático disso é que hoje ela escreve lindos e profundos textos que me deixam cheia de orgulho dela e de mim, pois se eu não tivesse tido a coragem de me recusar – e aqui a gente sempre fica com receio de colocar a amizade em risco - ela não teria desenvolvido essa habilidade.
Para corroborar essa fase, passei alguns dias numa casa onde as pessoas pediam umas às outras vários favores. Pude observar que a maioria das vezes era por puro comodismo e me peguei perguntando: “mas pera ai, porque essa pessoa acha que o comodismo dela vale mais que o comodismo da outra”? Pronto, estava aberto o radar pra observar o que as pessoas fazem por si mesmas e o que elas delegam para os outros e percebi que um dos sentimentos predominantes no delegar é o orgulho que pode vir travestido de egoísmo, narcisismo ou mesmo de “preguiça”. Pois.
Muita gente delega por que não quer fazer coisas chatas, coisas pequenas, bobas, ou que consideram menores do que a sua capacidade. O que elas não percebem é que quando pedem para que outros façam essas mesmas coisas estão cometendo dois enganos: o primeiro é o de serem arrogantes achando que alguém pode arcar com a sua parte chata das coisas, portanto que, de alguma forma, existem pessoas com um valor menor do que o delas. Todas as coisas do mundo têm partes legais e ótimas e partes chatas, mas só algumas pessoas acreditam que merecem passar pela vida sem lidar com a parte ruim.
O segundo engano é diretamente consequência do primeiro e precisa ser pensado de um ponto de vista mais espiritual ainda. Todos ganhamos uma vida de Deus para evoluirmos. E evoluímos ao aprender. E aprender implica passar por todas as fases da vida, superar as dificuldades transformando-as em habilidades. Se você delega a parte chata ou ruim, você está fraudando seu aprendizado diante do único professor de quem não se pode enganar: Deus. A consequência direta disso é que a vida emperra. É. E emperra porque você não foi honesto e não aprendeu de verdade. E então fica preso na situação até que se resolva a fazer todas as partes para realmente aprender e seguir em frente.
Mas então eu não posso delegar, pedir favor? Pode. Quando realmente não tiver como fazer, como aprender, e parar para fazer isso causará outras perdas. Nesses casos a vida apresentará outras oportunidades e tudo flui. Também pode delegar para ensinar algo ou aprender junto. O que você não pode é ser desonesto com Deus e nem menosprezar o outro. Se a sua vida está enrolada, se você se sente tomando bomba sempre na mesma lição, pare e pense se essa não pode ser a razão.
E do ponto de vista de quem gosta de ajudar a ponto de se enrolar é preciso perceber que as pessoas não vão te amar mais por fazer o que elas te pedem. Que se te amam o farão mesmo que você não as ajude. E se não amarem é porque não amavam antes. É, "chavão", e óbvio. Eu sei, é difícil tomar essa decisão e mais ainda colocá-la em prática; a gente sua frio, morre de medo de perder todo mundo, mas um dia cria coragem e se liberta do servilismo e olha: vale a pena.
26 de janeiro de 2012
Quando escrevi esse texto e publiquei, foi para um amigo que havia justificado não ter me esperado, me ligado, ou me chamado (agora não lembro bem) para não me atrapalhar em outra coisa que ele julgou que eu estivesse fazendo e gostasse mais do que estar com ele.
O sentimento ao escrever era de amizade, mas pense num texto que causou um rebu danado? Foi esse. Na época a gente participava meio de uma comunidade e nela haviam muitas mulheres apaixonadas por ele e quando entrei no que seria uma espécie de bate-papo, fiquei de cara com as "reclamações e afirmações" de que este era um texto de amor. Fato é que depois disso a gente acabou mesmo tendo um rolinho, que não durou, mas acredito que causado pela falação do povo que despertou minha curiosidade.
Hoje tenho vontade de republicar, mas ai sim como um texto de amor, pensando em alguém que realmente amo e prefiro a qualquer coisa na vida, principalmente porque não preciso abrir mão de nada para vivê-lo.
Eu prefiro você
Eu prefiro você a um episódio inédito da minha série preferida.
Eu prefiro você à mousse de chocolate ou pipoca com Guaraná vendo sessão da tarde em dia de chuva.
Eu prefiro você a receber rosas numa data especial.
Eu prefiro você à partida final do campeonato onde meu time está prestes a ser campeão.
Eu prefiro você a um pôr-do-sol embasbacante.
Eu prefiro você a qualquer livro.
Eu prefiro você a ouvir o CD do meu intérprete preferido, mesmo que o tenha acabado de comprar.
Eu prefiro você a dar um mergulho em dia escaldante.
Eu prefiro você a parque de diversão com algodão-doce e maçã-do-amor.
Eu prefiro você a bacalhau.
Eu prefiro você a desenhar.
Eu prefiro você a fatias geladas de abacaxi, ou morango com creme de leite, ou ainda a cerejas frescas.
Eu prefiro você a boteco com amigos e cerveja.
Eu prefiro você às exposições dos artistas que mais admiro.
Eu prefiro você a meu filme preferido.
Eu prefiro você a viajar.
Eu prefiro você a bordar.
Eu prefiro você a sorvete em dias bem quentes.
Eu prefiro você à festa de aniversário.
Eu prefiro você a Coca-Cola bem gelada.
Eu prefiro você a uma estadia num Spa.
Eu prefiro você a sair dançando pela casa porque está tocando minha música preferida.
Eu prefiro você à gargalhada mais espontânea que eu possa dar.
Eu prefiro você a qualquer lágrima, mesmo que de alegria, que eu possa chorar.
Eu prefiro você a brincar na neve.
Eu prefiro você a qualquer tempestade elétrica que eu possa observar.
Eu prefiro você a abraçar árvores.
Eu prefiro você...
É, eu prefiro você!
O sentimento ao escrever era de amizade, mas pense num texto que causou um rebu danado? Foi esse. Na época a gente participava meio de uma comunidade e nela haviam muitas mulheres apaixonadas por ele e quando entrei no que seria uma espécie de bate-papo, fiquei de cara com as "reclamações e afirmações" de que este era um texto de amor. Fato é que depois disso a gente acabou mesmo tendo um rolinho, que não durou, mas acredito que causado pela falação do povo que despertou minha curiosidade.
Hoje tenho vontade de republicar, mas ai sim como um texto de amor, pensando em alguém que realmente amo e prefiro a qualquer coisa na vida, principalmente porque não preciso abrir mão de nada para vivê-lo.
Eu prefiro você
Eu prefiro você a um episódio inédito da minha série preferida.
Eu prefiro você à mousse de chocolate ou pipoca com Guaraná vendo sessão da tarde em dia de chuva.
Eu prefiro você a receber rosas numa data especial.
Eu prefiro você à partida final do campeonato onde meu time está prestes a ser campeão.
Eu prefiro você a um pôr-do-sol embasbacante.
Eu prefiro você a qualquer livro.
Eu prefiro você a ouvir o CD do meu intérprete preferido, mesmo que o tenha acabado de comprar.
Eu prefiro você a dar um mergulho em dia escaldante.
Eu prefiro você a parque de diversão com algodão-doce e maçã-do-amor.
Eu prefiro você a bacalhau.
Eu prefiro você a desenhar.
Eu prefiro você a fatias geladas de abacaxi, ou morango com creme de leite, ou ainda a cerejas frescas.
Eu prefiro você a boteco com amigos e cerveja.
Eu prefiro você às exposições dos artistas que mais admiro.
Eu prefiro você a meu filme preferido.
Eu prefiro você a viajar.
Eu prefiro você a bordar.
Eu prefiro você a sorvete em dias bem quentes.
Eu prefiro você à festa de aniversário.
Eu prefiro você a Coca-Cola bem gelada.
Eu prefiro você a uma estadia num Spa.
Eu prefiro você a sair dançando pela casa porque está tocando minha música preferida.
Eu prefiro você à gargalhada mais espontânea que eu possa dar.
Eu prefiro você a qualquer lágrima, mesmo que de alegria, que eu possa chorar.
Eu prefiro você a brincar na neve.
Eu prefiro você a qualquer tempestade elétrica que eu possa observar.
Eu prefiro você a abraçar árvores.
Eu prefiro você...
É, eu prefiro você!
25 de janeiro de 2012
24 de janeiro de 2012
Uma das coisas que mais me pergunto quando observo algumas relações é: “Quem essa pessoa ama? Aquela que o outro é de fato, ou aquela que ela gostaria que ele fosse e pela qual passará muito tempo brigando, tentando transformá-lo”? Geralmente percebo que ganha a segunda opção.
Minha relação não é fácil, pelas circunstâncias. Às vezes ela é mesmo muito difícil e nesses momentos confesso que penso em desistir. Me liberar e ver o que a vida me traz, pensando sempre se não será algo mais fácil. Mas olhando à minha volta eu desisto, pois não sei se outro homem será capaz de me dar as coisas que tenho com o meu e que são coisas que prezo muito - nós dois prezamos - e que garantiram que nos amássemos pro vinte anos e que sigamos nos amando quando as coisas apertam. E as coisas apertam.
A principal dessas coisas é a honestidade. Honestidade sobre quem somos, o que sentimos, o que pensamos, o que fazemos, o que queremos de nós e do outro. Sobre nossas bobagens e nossas verdades. Mas não uma honestidade perversa, pois também já tive relações onde o outro era pródigo em dizer verdades sobre mim, mas sem se importar sobre as verdades sobre si mesmo. É uma honestidade amorosa, cuidada, dita com compaixão. Não existe o que não possa ser dito entre nós dois. E sim, algumas coisas não são ditas, mas geralmente o são mais por falta de tempo em fazê-lo – outros assuntos naquele momento são mais importantes - do que qualquer outra coisa e ai passa para ser relembrada lááá na frente. E, sim mais uma vez, algumas vezes o que temos para dizer é difícil porque sabemos que irá machucar e a gente adia, a gente fica estranho, mas sempre acabamos falando. Tanto e tanto que já ouvi algumas vezes de amigos: “mas você não contou isso para ele, contou”? “Contei sim, claro”! “Você é doida, isso vai afastar vocês”! Mas não, não afasta. O que afasta é a mentira e a omissão desnecessárias e vaidosas.
E acaba que não entendo o que as pessoas consideram como proximidade e intimidade se elas não se mostram para o outro. Se nessa que deveria ser a relação mais cuidada, porque de escolha, existem coisas que não podem ser ditas; se mentiras têm de ser contadas e mantidas em nome da tal paz conjugal que nunca é alcançada, veja bem, pois alguém sempre está inconscientemente cobrando algo que sente encoberto: o “eu verdadeiro”.
Eu não sou perfeita e ele sabe. Ele não é perfeito e eu sei e nenhum dos dois está atrás de perfeição, pois afinal uma das graças de nos relacionarmos é justamente nos amarmos apesar e para além dos nossos defeitos.
Eu, por exemplo, sou chata. MUITO chata em relação a algumas coisas que ele faz por circunstâncias e um pouco também de ser o jeito dele, o que acaba gerando confusão. Porque sim: quero que ele mude em beneficio da gente. Ele concorda que precisa mudar, mas que não é esse o momento e então me pede um pouco mais de paciência. Nem sempre consigo e a gente acaba “discutindo”. E quando nos acertamos e peço desculpas por ser tão chata, ele ri. Ele não diz: “imagina, você não é”. Nem “ah! Mas nem é tanto assim, veja as circunstâncias”. Não. Eu sou chata pela forma como lido com as circunstâncias – afinal sempre existem formas melhores do que brigar - ele sabe e mesmo assim me ama e quer. E isso me é suficiente, pois é o que quero: um homem que veja quem realmente sou e me ame mesmo assim.
E isso é o que todos dizem querer e, no entanto, é do que vejo as pessoas fugirem. Elas veem os defeitos do outro, têm de conviver com eles, mas não podem mencioná-los sem que o outro se ofenda e sinta rejeitado
Sério. É como que para se relacionarem as pessoas segurassem em cada uma das mãos três máscaras e com esses seis elementos fizessem uma dança com o outro que também porta suas seis máscaras. É uma coreografia onde a cada máscara levantada, outra é apresentada o que, por sua vez, faz com que o outro apresente outra máscara e assim sucessivamente. Uma dança que muitas vezes é linda, mas sem nenhum sentido. A consequência disso é uma relação aonde a ilusão é tomada por realidade e as pessoas acham que se conhecem e se transformam, quando apenas estão sendo falsas. Falsas consigo e com o outro.
Falsas por princípio, pois nunca tiveram a intenção de amar quem o outro é, embora quisessem ser amadas pelo que são. Falsas por fingirem aceitar coisas que tentarão modificar no outro. Falsa por quererem receber o que não têm intenção de dar reciprocamente em troca: sinceridade.
23 de janeiro de 2012
Dias sem você...
Dias sem você são difíceis de viver.
Sem teu riso, sem tua voz...
Sem teu olhar que me fala melhor e mais profundamente de amor do que o fariam mil palavras.
Dias sem você são dias de sol, mas pouco calor.
São dias sem perdão.
Dias sem você são dias de coração batendo menos.
De vida boa, mas alegria meia-boca.
Dias sem você são dias de esperança arraigada.
São dias de saudade velada.
Dias sem você são apenas dias.
Dias sem você são difíceis de viver.
Sem teu riso, sem tua voz...
Sem teu olhar que me fala melhor e mais profundamente de amor do que o fariam mil palavras.
Dias sem você são dias de sol, mas pouco calor.
São dias sem perdão.
Dias sem você são dias de coração batendo menos.
De vida boa, mas alegria meia-boca.
Dias sem você são dias de esperança arraigada.
São dias de saudade velada.
Dias sem você são apenas dias.
21 de janeiro de 2012
Gente!
Eu poderia fazer uma coluna intitulada: "a bronca da Marie", mas quem sou eu para dar bronca em alguém né? Mesmo que algumas coisas me deixem bronqueada.
Uma das coisas me que irrita são as pessoas que acham que são exemplo de vida pra humanidade. Que suas escolhas e modo de enfrentar os problemas servem de exemplo e parâmetro pros outros porque eles se ferraram, sofreram e se (re)ergueram. Pessoas de idade têm muito disso né? Acham que podem dar palpite e conselhos porque passaram muita coisa, sofreram muito, mas venceram. Afinal, estão ai, velhos e vivos quando outros já morreram.
E eu poderia começar pelo mérito de que olhando a vida dessas pessoas, poucas vezes a quero pra mim ou para quem amo, ainda mais com tanto perrengue, pois geralmente são pessoas que acreditam tanto no sofrimento meritório que seguem sofrendo pelos mais variados motivos, quando não por si, pelos outros. Vejo MUITO disso.
Mas quer me deixar puta é ver esse discurso feito por alguém na minha faixa de idade. A primeira coisa que penso é: "e assim nasce mais um velho chato!"
Pelo amor né meu povo? Isso é ser arrogante. E arrogante porque se é incapaz de olhar em volta e perceber que o que você faz com a sua vida não é diferente do que qualquer pessoas faz com a dela, pois se ela chega viva ao final de mais um dia, venceu tanto quanto você.
Mas vamos pensar isso por uma ótica mais espiritual? Deus criou, digamos que por pura diversão, 7 bilhões de vidas que habitam esse planeta como se fossem canais de TV a cabo por onde ele zapeia pra passar o tempo. E nenhuma se repete. O cabra é tão criativo e abundante que observa 7 bilhões de histórias diferentes todos os dias que podem ser similares em algumas coisas, mas nunca iguais. E isso sem contarmos as vidas daqueles que já morreram, ou que, pra quem crê, habitam outras esferas e dimensões desse Universo. E a dos outros Universos? Já pensou? Mas nos atendo apenas a esse e ao Planeta Terra, calcula-se por baixo que só aqui esse número gire em torno de 16 bilhões. Pense? Dezesseis bilhões de seres vivendo vidas distintas, como o são as impressões digitais, e você ai querendo que a sua seja exemplo; pra quem mesmo?
E se for para falar de sofrimento meritório, desculpa, tiro meu chapéu somente para as pessoas que sobrevivem em lugares inóspitos, sem alimento ou água suficientes, pois esses, sim, fazem mágica pra viver. Se você vive num lugar farto e abundante, cheio de oportunidades e modos de se conquistar uma vida descente e escolhe fazer isso com muita dor, sofrimento, "sangue, suor e lágrimas", é apenas burro, vitimista e orgulhoso, pois está escolhendo sofrer e sem motivo. Pois sofrimento não é mérito, como dizem muitos autores espiritualistas da Nova Era, é apenas estar em discordância com Deus e renegando as coisas boas que Ele lhe concede para que você viva bem.
Não, não estou dizendo que a vida não ofereça dificuldades que devemos superar, mas que a quantidade de sofrimento que você terá ao fazer isso é escolha sua.
Também não estou dizendo que não é um trabalho grande mudar a sintonia de vitimista, trabalhar o orgulho e fazer escolhas mais inteligentes quando você se torna consciente de que está vivendo sob parâmetros improdutivos e que causam dores desnecessárias, pois é. E eu mesma dou altos tropeções ainda - vide essa semana - mesmo depois de tantos anos nesse caminho, mas é escolha sua viver isso e não algo imposto, embora a princípio pareça. O importante é persistir e recomeçar a cada dia, pois nos tornarmos melhores para conosco mesmos é obrigação.
Então, bora combinar que daqui pra frente ninguém mais bate no peito se achando o suprassumo só porque sofreu? Respeitemos as escolhas alheias e admitamos que o nosso é apenas um jeito dentre bilhões de outros de se viver e deixemos quem quiser nos tomar de exemplo, o faça por eleição e não por coação.
20 de janeiro de 2012
Então, voltei com o blog.
E deixei com essa cara de diário escrito a mão, pois a intenção é exatamente essa: falar o que vem à mente, transborda do coração e escorre dos meus dedos sem saber ao certo quem lerá, sem mandar recado pra ninguém através dos meus textos, embora estes sempre nasçam da interação que tenho com as pessoas, seja esta virtual ou não.
E agora que já estou com vontade de escrever o texto de amanhã? Rs!
;-)
A quem eu magoei ontem...
Sei que minha afirmação ontem no Twitter magoou pessoas que amo e é fácil pensar que se eu não queria magoar, que não dissesse o que disse. Porém eu precisava daquilo para me reerguer do lodaçal aonde estava imersa há alguns dias por contingências da vida que eu não estava conseguindo aceitar.
Portanto venho aqui me desculpar com quem magoei e me explicar mais amplamente a fim de causar um entendimento que minimamente anule a mágoa.
Para começar é preciso dizer que sim, eu recebo colo. Eventualmente os recebo; meio que por acidente, mas recebo. Tanto recebo que sinto falta, pois relembrando um professor de faculdade "apenas nos faz falta aquilo que tivemos, pois do contrário, não saberíamos o que é e, consequentemente, não nos faria falta por absoluta ignorância". Então, se está sentindo falta é porque teve em algum momento. Entretanto, para que vocês me entendam é preciso que - ironia - eu fale de mim um pouco.
Tenho muita, mas MUITA dificuldade em falar de mim. O exemplo mais pungente disso foram os quase dois anos de terapia com uma profissional ortodoxa que deixava que eu começasse o atendimento falando. Asseguro-lhes que por conta disso passei - e paguei - bem que uns 60% (se não mais) das sessões calada, mesmo que dentro de mim os vulcões estivessem em erupção.
O 2º exemplo foi quando precisei dizer ao homem que amava que o amava, para dar a conhecer e realizar meu afeto, e isso resultou numa espera por parte dele de quatro horas. Q-u-a-t-r-o h-o-r-a-s. Ali, sentados no carro, numa garagem escura, alta madrugada. As palavras vinham e eu literalmente as engolia. Só falei quando ficou insustentável o meu sofrimento.
Não sei por que sou assim. A única lembrança concreta é a de que os livros eram um caminho tranquilo e prazeroso - com aquelas vidas e emoções inventadas, mas com começo, meio e fim determinados, portanto seguro - quando as coisas na minha realidade ficavam conturbadas e confusas. E quando eu voltava dos livros as coisas haviam se ajeitado, minimamente por conta da sabedoria do tempo.
Outra coisa que me ocorre é o fato de que, em contrapartida, eu ter uma facilidade enorme para ouvir, que aliada a um interesse genuíno pelo outro, faz com que as pessoas me falem de si. Por isso me tornei terapeuta. Também por conta disso tornei-me uma profissional com quem os pacientes vinculam espantosamente rápido. Amigos idem. Quando pergunto: "como vai você"? Realmente quero te ouvir. Para mim não é "oi".
O x é que juntando tudo me tornei expert em fazer o outro falar de si. Ou seja, mesmo quando quero falar de mim, seja por força do hábito ou da resistência, eu facilmente induzo o outro a falar de si.
Mas o mote aqui é o colo, falemos dele então. De que tipo de colo falo? Não daquele que recebo espontaneamente, mas daquele que não recebo quando consigo romper minhas barreiras e pedir por ele. Fiz isso de pedir poucas vezes, é verdade, mas em nenhuma delas fui bem sucedida.
E aqui mais uma vez é preciso que eu esclareça. E para esclarecer que relembre mais uma vez a 1ª terapeuta; estava eu lá toda pimpona e falante há algumas sessões, quando ela pontua que todos os meus conteúdos eram resolvidos. Que eu não levava nada para ser compartilhado ou vivenciado ali.
Esse continua sendo o meu grande jeitão na vida: quando falo de mim é que as coisas já se acomodaram dentro, mesmo que fora ainda persista o caos aparentemente. Nessas horas eu até posso me emocionar, chorar, reconhecer que é difícil, mas eu já tenho o caminho interno determinado e inclusive já o estou percorrendo.
O colo que não recebo é aquele que peço quando consigo atravessar a insegurança do que não sei, de estar descrente e perdida. E, com toda sinceridade do meu ser, não sei se alguém recebe colo nessas circunstâncias, se isso existe.
O que sei é que nesses momentos me isolo, "concho", e penso, penso, penso e penso. Questiono, questiono, questiono, questiono e questiono. Rezo, rezo, rezo, rezo e rezo. Leio, pesquiso, abro novo horizontes, mas assim: de mim para mim mesma e assim me resolvo.
O problema é que de uns tempos pra cá, talvez por dar ouvidos ao mundo, entrei numas de que colo é essencial e faz bem, além de ser direito de todos "e então eu quero minha cota: é meu amigo, parente, namorado? Pode me dar colo já"! E não duvido que isso seja verdade para muita gente, só que não o é para mim. Preciso de um esforço desumano para sair de mim e cansei de me esforçar. Quero e estou voltando pro meu estado natural, sem esperar de ninguém o que não nasci pra ter.
Sou uma doadora de colo. E está ótimo assim.
Quando preciso falar, geralmente recorro ao papel, blog, atualmente até a postar no facebook, ao terapeuta que dá o start do atendimento (Rá! Aprendi!) o que para mim é mais fácil e possível de fazer talvez até pelo "quê" de impessoalidade, já que sou estruturalmente esquizóide, ou seja, distanciada.
Eu sei que sou amada e que tenho muitas intenções sinceras de colo. Da mesma forma, também tenho plena consciência de que não é fácil conseguir me acessar, o que quem convive comigo sabe bem. Apenas é assim.
E isso não quer dizer que eu não vá pedir colo novamente um dia. E nem que não vá recebê-lo. Só quer dizer que eu não vou mais procurar por algo que não é meu verdadeiro jeito de ser. Que vou conchar, me isolar sem medo de perder a oportunidade, o direito de "estar com alguém", de ser "retribuída". Me resolverei do meu jeito e voltarei pra vida com o velho sorriso brincando nos lábios e a alegria de viver restaurados.
É isso exatamente o que estou fazendo agora.
Se te feri, me perdoa, pois o fiz sem nenhuma intenção disso.
Amo vocês!
7 de fevereiro de 2011
Quando eu era criança, por volta dos 7 anos, eu era apaixonadinha pelo namoradinho da minha prima de 12 e fazia uma birra danada com direito a choro e ranger de dentes - nas festas de aniversário DELA - para chamar a atenção e fazer ele me dar o que eu queria: uma dança.
Já contei isso aqui.
Foram necessárias três vezes para que do alto da minha sabedoria infantil, percebesse que o que eu fazia era horrível e ao invés de fazer as pessoas - no caso ele - gostarem de mim, eu conseguia apenas que me vissem como alguém antipática, desagradável e mimada. Pior: eu conseguia até fazer com que minha prima ficasse chateada comigo!
Foi assim que aprendi, muito cedo, que se eu queria ter a atenção das pessoas seria dando o meu melhor.
Sempre fui uma pessoa expansiva, extrovertida e comunicativa. Na verdade sou extremamente tímida, porém nunca aceitei isso e então sou bem tímida ao melhor estilo "Marisa Orth" que numa entrevista disse também ser extremamente tímida, mas que antes que a esta a paralise - o que aconteceu comigo em três ocasiões ao longo da minha vida - ela joga os holofotes sobre si e faz o seu show. Idem!
Não vou negar que algumas vezes senti que roubei a cena um pouco demais e, geralmente, percebo que o fiz por estar nervosa e/ou ansiosa com algo na situação. Tipo: quando vou conhecer os pais do namorado. Mas de modo geral sou alguém que de bom grado deixa o outro brilhar, se ele tiver luz suficiente para isso, claro.
Traduzindo: raramente vou ceder meu espaço a alguém que não o ocupe por brilho próprio. Não adianta pedir, pois qualquer coisa diferente disso seria fazê-lo por pena, e né? Ninguém merece uma vez que para mim, pena é a constatação da crença na incapacidade alheia de chegar a um determinado lugar por si mesmo.
Porém se encontro alguém com domínio de cena, brilho e habilidades desenvolvidas ou a gente contracena ou saio do centro do palco e fico admiriando o espetáculo alheio. O exemplo mais recente disso a que tenho acesso foi um almoço na casa de um amigo, onde uma amiga diagnosticada como "em depressão" alegrou a tarde e brilhou orquestrando de tal forma o evento que conseguiu até que os meninos tirassem as camisas. ela garantiu a risada de todos por boa parte da tarde e tornou aquele um almoço inesquecível. Não que todos ali não tivessem sua parcela de contribuição, mas naquele dia o espetáculo foi todo dela! e nossa, como fiquei feliz de vê-la naquele momento e como fiquei feliz de estar ali vendo o brilho dela pela primeira vez!
Não tem jeito gente. As pessoas gostam de alegria, de riso, de se sentirem bem e felizes. A gente dá uma força, apoia, mas ninguém continua indefinidamente querendo estar ao lado de quem que vive num eterno "dia de Hardy: oh! Dia, oh! Vida, oh! Céus!" Nem os que estão num momento ruim querem sair com outras pessoas em igual condição por muito tempo. Pode ser pra um desabafo, acolhimento, mas não pra sair do buraco, como se diz por ai. É anti-natural. A pulsão de vida clama!
O mundo é dos fortes e exuberantes.
Já contei isso aqui.
Foram necessárias três vezes para que do alto da minha sabedoria infantil, percebesse que o que eu fazia era horrível e ao invés de fazer as pessoas - no caso ele - gostarem de mim, eu conseguia apenas que me vissem como alguém antipática, desagradável e mimada. Pior: eu conseguia até fazer com que minha prima ficasse chateada comigo!
Foi assim que aprendi, muito cedo, que se eu queria ter a atenção das pessoas seria dando o meu melhor.
Sempre fui uma pessoa expansiva, extrovertida e comunicativa. Na verdade sou extremamente tímida, porém nunca aceitei isso e então sou bem tímida ao melhor estilo "Marisa Orth" que numa entrevista disse também ser extremamente tímida, mas que antes que a esta a paralise - o que aconteceu comigo em três ocasiões ao longo da minha vida - ela joga os holofotes sobre si e faz o seu show. Idem!
Não vou negar que algumas vezes senti que roubei a cena um pouco demais e, geralmente, percebo que o fiz por estar nervosa e/ou ansiosa com algo na situação. Tipo: quando vou conhecer os pais do namorado. Mas de modo geral sou alguém que de bom grado deixa o outro brilhar, se ele tiver luz suficiente para isso, claro.
Traduzindo: raramente vou ceder meu espaço a alguém que não o ocupe por brilho próprio. Não adianta pedir, pois qualquer coisa diferente disso seria fazê-lo por pena, e né? Ninguém merece uma vez que para mim, pena é a constatação da crença na incapacidade alheia de chegar a um determinado lugar por si mesmo.
Porém se encontro alguém com domínio de cena, brilho e habilidades desenvolvidas ou a gente contracena ou saio do centro do palco e fico admiriando o espetáculo alheio. O exemplo mais recente disso a que tenho acesso foi um almoço na casa de um amigo, onde uma amiga diagnosticada como "em depressão" alegrou a tarde e brilhou orquestrando de tal forma o evento que conseguiu até que os meninos tirassem as camisas. ela garantiu a risada de todos por boa parte da tarde e tornou aquele um almoço inesquecível. Não que todos ali não tivessem sua parcela de contribuição, mas naquele dia o espetáculo foi todo dela! e nossa, como fiquei feliz de vê-la naquele momento e como fiquei feliz de estar ali vendo o brilho dela pela primeira vez!
Não tem jeito gente. As pessoas gostam de alegria, de riso, de se sentirem bem e felizes. A gente dá uma força, apoia, mas ninguém continua indefinidamente querendo estar ao lado de quem que vive num eterno "dia de Hardy: oh! Dia, oh! Vida, oh! Céus!" Nem os que estão num momento ruim querem sair com outras pessoas em igual condição por muito tempo. Pode ser pra um desabafo, acolhimento, mas não pra sair do buraco, como se diz por ai. É anti-natural. A pulsão de vida clama!
O mundo é dos fortes e exuberantes.
6 de janeiro de 2011
O dia de ontem me ensinou algumas lições que eu gostaria de não esquecer:
1) As pessoas dão valores diferentes de mim ao significado de família e amizade. Vi isso acontecer por duas vezes no dia de ontem com pessoas diferentes. Isso não é bom ou ruim, é apenas diferente. Porém implica em que eu não confie nessas pessoas justamente em decorrência dessa diferença que cria na minha vida situações com as quais não quero lidar. Parece lógico né? Porém nunca havia me dado conta que essa é a fonte da desconfiança e que eu não sou desconfiada justamente por me cercar de pessoas que têm os mesmos valores que eu em alguns setores que considero essenciais: quem é sua família e quem são seus amigos?
Tenho família e tenho amigos; e tenho amigos que são minha família. Quando esses dois se juntam numa categoria é como se fosse o laureamento do amor e confiança que nutrimos mutuamente. E eu não espero que essas pessoas não me magoem, ou que eu não as magoe; ou que a gente não vá perder o pé uma vez ou outra mutuamente. Mas espero que elas sempre venham até mim com sinceridade e honestidade. Que seja comigo que resolvam as questões que têm comigo.
E eu sei que para uma pessoa, ao menos, estou nessa mesma categoria: Guilherme Bracco. Porém não espero que num momento em que eu precise dele, e aos irmãos, sobrinhos ou os pais, a avó, uma tia e até mesmo um primo precisem dele, ele vá me escolher a eles. A família vem antes. E na minha cabeça, pelos meus valores, tem de ser assim, porque se não o fosse não haveria sentido em se chamar família. E acredito que ele pense e sinta da mesma forma.
2) Algumas pessoas não se permitem serem cuidadas. Não importa o que você faça, elas não deixam e quando você simplesmente impõe o que quer em nome de cuidar, elas se sentem ofendidas, deixadas de lado, não vistas. Ou seja: não cuidadas. Portanto, inexiste alternativa e o melhor é deixá-las a si mesmas, pois caso contrário, só conseguem se sentir bem quando levaram até a última gota de você.
Antes eu achava que apenas os vitimistas eram assim. E o são porque, né? Se receberem o que precisam, deixam de ter motivo para se sentirem vítimas.
No entanto os que têm síndrome de herói também o são. Simplesmente porque se receberem ajuda, cuidados, deixarão de se sacrificar pelos outros, portanto, de se verem como estoicos, e acreditam que os outros deixarão de vê-los como heroicos..
Eu não compactuo com isso. Sou extremamente grata e reconhecida por cada ajuda que recebo, por cada mimo que me fazem - e reconheço que 99% das vezes me permito ser mimada pelos outros, mesmo; uma vez que precisar, p-r-e-c-i-s-a-r do que me oferecem eu não preciso, mas facilita tanto a minha vida que aceito de bom grado e muito feliz. Entretanto não me defino por isso e muito menos me escravizo a isso.
Principalmente porque quando de verdade eu mais preciso do que me oferecem, não tenho ninguém para dar. E não, não considero isso uma injustiça, ou qualquer coisa de negativo. Mas antes um lembrete de Deus para que eu nunca, jamais e em tempo algum me esqueça que sou grande e forte o suficiente para cuidar de mim mesma, ainda que acredite que não vou dar conta.
O mimo tem esse lado ao qual devemos permanecer atentos: ele nos enfraquece na medida em que nos faz duvidar da nossa potência com o passar do tempo.
3) Tem coisas que a gente pensa, mas não fala. MESMO. NUNCA. Pra ninguém e em circunstância nenhuma, pois é sempre e apenas desagradável e desnecessário. E fazem com que, pela insistência na recorrência, as pessoas troquem o afeto que sentem por tolerância. E essa nunca é uma boa troca, pois se o amor não acaba, a paciência sim.
4) Descobri perto de mim uma pessoa que é, ao menos num aspecto, exatamente como quero ser: alguém que é servida pelo dinheiro e não se escraviza a ele. Que o usa para satisfazer suas vontades, não importando se isso implica em dispender dinheiro. É sempre um investimento em si mesma e no seu bem estar. E fiquei tão, tão feliz! Porque é muito mais fácil se chegar a um lugar quando você encontra alguém que já abriu uma trilha energética até ele!
1) As pessoas dão valores diferentes de mim ao significado de família e amizade. Vi isso acontecer por duas vezes no dia de ontem com pessoas diferentes. Isso não é bom ou ruim, é apenas diferente. Porém implica em que eu não confie nessas pessoas justamente em decorrência dessa diferença que cria na minha vida situações com as quais não quero lidar. Parece lógico né? Porém nunca havia me dado conta que essa é a fonte da desconfiança e que eu não sou desconfiada justamente por me cercar de pessoas que têm os mesmos valores que eu em alguns setores que considero essenciais: quem é sua família e quem são seus amigos?
Tenho família e tenho amigos; e tenho amigos que são minha família. Quando esses dois se juntam numa categoria é como se fosse o laureamento do amor e confiança que nutrimos mutuamente. E eu não espero que essas pessoas não me magoem, ou que eu não as magoe; ou que a gente não vá perder o pé uma vez ou outra mutuamente. Mas espero que elas sempre venham até mim com sinceridade e honestidade. Que seja comigo que resolvam as questões que têm comigo.
E eu sei que para uma pessoa, ao menos, estou nessa mesma categoria: Guilherme Bracco. Porém não espero que num momento em que eu precise dele, e aos irmãos, sobrinhos ou os pais, a avó, uma tia e até mesmo um primo precisem dele, ele vá me escolher a eles. A família vem antes. E na minha cabeça, pelos meus valores, tem de ser assim, porque se não o fosse não haveria sentido em se chamar família. E acredito que ele pense e sinta da mesma forma.
2) Algumas pessoas não se permitem serem cuidadas. Não importa o que você faça, elas não deixam e quando você simplesmente impõe o que quer em nome de cuidar, elas se sentem ofendidas, deixadas de lado, não vistas. Ou seja: não cuidadas. Portanto, inexiste alternativa e o melhor é deixá-las a si mesmas, pois caso contrário, só conseguem se sentir bem quando levaram até a última gota de você.
Antes eu achava que apenas os vitimistas eram assim. E o são porque, né? Se receberem o que precisam, deixam de ter motivo para se sentirem vítimas.
No entanto os que têm síndrome de herói também o são. Simplesmente porque se receberem ajuda, cuidados, deixarão de se sacrificar pelos outros, portanto, de se verem como estoicos, e acreditam que os outros deixarão de vê-los como heroicos..
Eu não compactuo com isso. Sou extremamente grata e reconhecida por cada ajuda que recebo, por cada mimo que me fazem - e reconheço que 99% das vezes me permito ser mimada pelos outros, mesmo; uma vez que precisar, p-r-e-c-i-s-a-r do que me oferecem eu não preciso, mas facilita tanto a minha vida que aceito de bom grado e muito feliz. Entretanto não me defino por isso e muito menos me escravizo a isso.
Principalmente porque quando de verdade eu mais preciso do que me oferecem, não tenho ninguém para dar. E não, não considero isso uma injustiça, ou qualquer coisa de negativo. Mas antes um lembrete de Deus para que eu nunca, jamais e em tempo algum me esqueça que sou grande e forte o suficiente para cuidar de mim mesma, ainda que acredite que não vou dar conta.
O mimo tem esse lado ao qual devemos permanecer atentos: ele nos enfraquece na medida em que nos faz duvidar da nossa potência com o passar do tempo.
3) Tem coisas que a gente pensa, mas não fala. MESMO. NUNCA. Pra ninguém e em circunstância nenhuma, pois é sempre e apenas desagradável e desnecessário. E fazem com que, pela insistência na recorrência, as pessoas troquem o afeto que sentem por tolerância. E essa nunca é uma boa troca, pois se o amor não acaba, a paciência sim.
4) Descobri perto de mim uma pessoa que é, ao menos num aspecto, exatamente como quero ser: alguém que é servida pelo dinheiro e não se escraviza a ele. Que o usa para satisfazer suas vontades, não importando se isso implica em dispender dinheiro. É sempre um investimento em si mesma e no seu bem estar. E fiquei tão, tão feliz! Porque é muito mais fácil se chegar a um lugar quando você encontra alguém que já abriu uma trilha energética até ele!
6 de dezembro de 2010
Todos têm um ou mais leões para matar por dia. Alguns os matam só e silenciosamente, enquanto outros acham que todos à sua volta devem ajudá-los.
Todos.
Todos temos desejos e necessidades tanto objetivos quanto subjetivos. Alguns as satisfazem sem pensar nos demais e outros adaptam e cedem em alguns dos seus para compartilharem amor. Outros ainda só se sentem amados quando os outros adaptam os seus desejos a eles.
Todos.
Todos fazemos milhares de escolhas cotidianamente. E todos arcamos individualmente com as suas consequências. Alguns sabem disso; outros acham que isso se compartilha por amor. Outros existem, ainda, que esperam que as suas consequências não cheguem nunca.
Todos.
Todos temos os nossos momentos e eles acontecem concomitantemente. A vida de ninguém para pra que a do outro possa acontecer. Alguns sabem disso; a maioria ignora isso por falta de hábito de olhar em volta.
Todos.
Todos temos de aceitar que nossas escolhas possam magoar e chatear os outros e temos de aceitar isso da mesma forma que esperamos ser compreendidos e respeitados. Alguns sabem disso. Outros esperam que suas escolhas sempre sejam só acolhidas.
Todos.
Todos temos dificuldades com críticas. Alguns as aceitam depois de algum tempo; outros sempre encontram uma desculpa para nunca aceitá-las.
Todos.
Todos queremos ser amados. Porém para o amor acontecer de fato precisamos levantar os olhos do nosso umbigo e permitir o outro - com tudo o que ele tem - em nós. Seja amor de amante, ou amor de amigo. Alguns sabem disso; outros insistem e persistem em que o outro se modifique para que caibam neles.
E isso, minha gente, isso não é amor.
Todos.
Todos temos desejos e necessidades tanto objetivos quanto subjetivos. Alguns as satisfazem sem pensar nos demais e outros adaptam e cedem em alguns dos seus para compartilharem amor. Outros ainda só se sentem amados quando os outros adaptam os seus desejos a eles.
Todos.
Todos fazemos milhares de escolhas cotidianamente. E todos arcamos individualmente com as suas consequências. Alguns sabem disso; outros acham que isso se compartilha por amor. Outros existem, ainda, que esperam que as suas consequências não cheguem nunca.
Todos.
Todos temos os nossos momentos e eles acontecem concomitantemente. A vida de ninguém para pra que a do outro possa acontecer. Alguns sabem disso; a maioria ignora isso por falta de hábito de olhar em volta.
Todos.
Todos temos de aceitar que nossas escolhas possam magoar e chatear os outros e temos de aceitar isso da mesma forma que esperamos ser compreendidos e respeitados. Alguns sabem disso. Outros esperam que suas escolhas sempre sejam só acolhidas.
Todos.
Todos temos dificuldades com críticas. Alguns as aceitam depois de algum tempo; outros sempre encontram uma desculpa para nunca aceitá-las.
Todos.
Todos queremos ser amados. Porém para o amor acontecer de fato precisamos levantar os olhos do nosso umbigo e permitir o outro - com tudo o que ele tem - em nós. Seja amor de amante, ou amor de amigo. Alguns sabem disso; outros insistem e persistem em que o outro se modifique para que caibam neles.
E isso, minha gente, isso não é amor.
28 de novembro de 2010
Republicando:
Amor, o nosso Deus de pés de barro.
Num dos trabalhos que faço estamos aprofundando a discussão em torno do amor e isso começou pela desmistificação ideal romântico criado para manter e efetivar o poder, tanto nominal quanto econômico, e que acabou por substituir Deus na atualidade, se tornando, na nossa compreensão, a única e imprescindível forma de sermos felizes. Hoje pede-se ao amor o que antigamente se pedia a Deus. Espera-se que o amor nos faça sentir todo o prazer e satisfação que antes obtínhamos de várias fontes.
Isso se tornou algo tão sério e internalizado que hoje nos medimos - e somos medidos - no nosso valor pessoal pela nossa capacidade em conquistar e manter alguém. Você pode ser ótimo em todas as áreas da sua vida, mas se for solteiro provavelmente se sentirá uma grande porcaria, e o contrário também se aplica: uma pessoa pode ser a expressão absoluta da mediocridade em todos os aspectos da sua vida e, no entanto, se conseguir manter relacionamentos estáveis e duradouros é bem provável que tenha de si - e que tenham dela - uma avaliação muito positiva.
Só por ai podemos começar a pensar o preço que nos cobra esse ideal de amor inatingível que colocam e assumimos como meta das nossas vidas. Um amor que tem de ser heróico a ponto de justificar o abandono de nós mesmos em função de sermos completamente satisfeitos pelo outro e, já não bastasse isso, pela responsabilidade de satisfazê-lo com igual plenitude. Sim, porque nesse amor temos de ser o ar que ele respira tanto quanto ele tem de ser o nosso. E isso se aplica às variações que a principio usamos para justificarmo-nos aos nossos próprios olhos nos dizendo que permitimos que o outro tenha uma existência própria, sim. Permitimos, porém desde que essa existência seja entranhada pela nossa, quiçá subjugada. Ambos podemos trabalhar, mas o trabalho jamais pode ser mais importante do que as nossas existências e jamais suplantar as nossas necessidades; é lícito que se tenha diversão, no entanto, desde que, de longe ou de perto, sejamos, mutuamente, o passatempo preferido um do outro. E isso só para dar uma parca idéia do que falo.
Se você ainda não conseguiu perceber porque esse ideal de amor é inatingível eu simplifico e conto: porque esperamos que o outro faça por nós o que só nós podemos fazer e, principalmente, porque nos propomos a fazer pelo outro o impossível.
O que o amor nos assegura então, configurado desta forma é, 99% das vezes, frustração por não termos nossas necessidades atendidas e impotência ao percebemos que nem com nossos melhores esforços conseguimos atender as necessidades alheias.
E isso acontece não é por maldade alheia ou incompetência nossa, não. Acontece porque nossas necessidades se transformam e novas se criam constantemente, em acordo com a nossa psique que é mutante. Então, por melhor que seja a intenção que se tenha, a única coisa certa é que frustrações e impotência sempre farão parte de qualquer relação amorosa. Porém naquela que é baseada em falsas premissas, a quantidade acaba por ser massacrante e nos faz sentir uma infelicidade profunda.
O que concluímos após essa primeira rodada de discussões é que o amor – não romântico, mas de fato – só pode acontecer quando cada um se incumbe da responsabilidade de se fazer feliz e se propõe a compartilhar com o outro esse processo de conquista, até contando com a sua colaboração efetiva para que a felicidade ocorra sem, no entanto, depositar sobre seus ombros essa obrigação.
Amor, o nosso Deus de pés de barro.
Num dos trabalhos que faço estamos aprofundando a discussão em torno do amor e isso começou pela desmistificação ideal romântico criado para manter e efetivar o poder, tanto nominal quanto econômico, e que acabou por substituir Deus na atualidade, se tornando, na nossa compreensão, a única e imprescindível forma de sermos felizes. Hoje pede-se ao amor o que antigamente se pedia a Deus. Espera-se que o amor nos faça sentir todo o prazer e satisfação que antes obtínhamos de várias fontes.
Isso se tornou algo tão sério e internalizado que hoje nos medimos - e somos medidos - no nosso valor pessoal pela nossa capacidade em conquistar e manter alguém. Você pode ser ótimo em todas as áreas da sua vida, mas se for solteiro provavelmente se sentirá uma grande porcaria, e o contrário também se aplica: uma pessoa pode ser a expressão absoluta da mediocridade em todos os aspectos da sua vida e, no entanto, se conseguir manter relacionamentos estáveis e duradouros é bem provável que tenha de si - e que tenham dela - uma avaliação muito positiva.
Só por ai podemos começar a pensar o preço que nos cobra esse ideal de amor inatingível que colocam e assumimos como meta das nossas vidas. Um amor que tem de ser heróico a ponto de justificar o abandono de nós mesmos em função de sermos completamente satisfeitos pelo outro e, já não bastasse isso, pela responsabilidade de satisfazê-lo com igual plenitude. Sim, porque nesse amor temos de ser o ar que ele respira tanto quanto ele tem de ser o nosso. E isso se aplica às variações que a principio usamos para justificarmo-nos aos nossos próprios olhos nos dizendo que permitimos que o outro tenha uma existência própria, sim. Permitimos, porém desde que essa existência seja entranhada pela nossa, quiçá subjugada. Ambos podemos trabalhar, mas o trabalho jamais pode ser mais importante do que as nossas existências e jamais suplantar as nossas necessidades; é lícito que se tenha diversão, no entanto, desde que, de longe ou de perto, sejamos, mutuamente, o passatempo preferido um do outro. E isso só para dar uma parca idéia do que falo.
Se você ainda não conseguiu perceber porque esse ideal de amor é inatingível eu simplifico e conto: porque esperamos que o outro faça por nós o que só nós podemos fazer e, principalmente, porque nos propomos a fazer pelo outro o impossível.
O que o amor nos assegura então, configurado desta forma é, 99% das vezes, frustração por não termos nossas necessidades atendidas e impotência ao percebemos que nem com nossos melhores esforços conseguimos atender as necessidades alheias.
E isso acontece não é por maldade alheia ou incompetência nossa, não. Acontece porque nossas necessidades se transformam e novas se criam constantemente, em acordo com a nossa psique que é mutante. Então, por melhor que seja a intenção que se tenha, a única coisa certa é que frustrações e impotência sempre farão parte de qualquer relação amorosa. Porém naquela que é baseada em falsas premissas, a quantidade acaba por ser massacrante e nos faz sentir uma infelicidade profunda.
O que concluímos após essa primeira rodada de discussões é que o amor – não romântico, mas de fato – só pode acontecer quando cada um se incumbe da responsabilidade de se fazer feliz e se propõe a compartilhar com o outro esse processo de conquista, até contando com a sua colaboração efetiva para que a felicidade ocorra sem, no entanto, depositar sobre seus ombros essa obrigação.
27 de novembro de 2010
Repostando:
Palavras
Meu universo é feito de palavras.
Gosto de receber palavras bonitas tanto quanto qualquer pessoa. Um “eu te amo”, um poema feito em minha intenção, ouvir que sou o porto seguro de alguém me tocam profundamente e me fazem sorrir, chorar, sonhar, amar...
Porém não gosto de palavras vazias. Palavras têm de vir recheadas de atitudes condizentes com os seus significados.
Tenho pelas palavras o mesmo respeito que tenho pelas pessoas e respeito as pessoas pelo uso que fazem da própria palavra.
Acredito na igualdade de direito às palavras. Se as uso para ofender, qualquer um também pode fazê-lo.
Palavras constroem e destroem; sobretudo relações.
Nunca me omito em relação às palavras que profiro e não entendo quem o faz. Por conta disso, também não entendo quem dá à própria palavra importância diferente a que dá à palavra alheia. Quem espera que tudo o que diz seja relevado, enquanto que o que o outro diz é sempre levado a ferro e fogo.
Palavras fazem nascer, acalentam ou matam um amor.
Palavras podem ser perdoadas, mas jamais são esquecidas. Ficam em nós como marcas que se faz no gado.
Palavras seduzem e enganam tanto quanto libertam e fazem amadurecer.
Palavras fazem falta em determinados momentos; em outros, sobram.
Palavras traem ao outro e a nós mesmos quando revelam o que se quer esconder.
Palavras explicam e confundem...
Palavras nutrem e matam de fome...
Palavras causam dor e arrependimento...
Palavras que são ditas não podem ser engolidas; há quem queira editá-las e, no entanto, geralmente, só o que se consegue é complicá-las.
Minhas palavras precisam vir à tona ou então animarão meus vulcões internos até que estes entrem em erupção espalhando lavras que, às vezes, escapando de mim, queimam o outro.
Eu só me entendo quando me visto de palavras.
Palavras
Meu universo é feito de palavras.
Gosto de receber palavras bonitas tanto quanto qualquer pessoa. Um “eu te amo”, um poema feito em minha intenção, ouvir que sou o porto seguro de alguém me tocam profundamente e me fazem sorrir, chorar, sonhar, amar...
Porém não gosto de palavras vazias. Palavras têm de vir recheadas de atitudes condizentes com os seus significados.
Tenho pelas palavras o mesmo respeito que tenho pelas pessoas e respeito as pessoas pelo uso que fazem da própria palavra.
Acredito na igualdade de direito às palavras. Se as uso para ofender, qualquer um também pode fazê-lo.
Palavras constroem e destroem; sobretudo relações.
Nunca me omito em relação às palavras que profiro e não entendo quem o faz. Por conta disso, também não entendo quem dá à própria palavra importância diferente a que dá à palavra alheia. Quem espera que tudo o que diz seja relevado, enquanto que o que o outro diz é sempre levado a ferro e fogo.
Palavras fazem nascer, acalentam ou matam um amor.
Palavras podem ser perdoadas, mas jamais são esquecidas. Ficam em nós como marcas que se faz no gado.
Palavras seduzem e enganam tanto quanto libertam e fazem amadurecer.
Palavras fazem falta em determinados momentos; em outros, sobram.
Palavras traem ao outro e a nós mesmos quando revelam o que se quer esconder.
Palavras explicam e confundem...
Palavras nutrem e matam de fome...
Palavras causam dor e arrependimento...
Palavras que são ditas não podem ser engolidas; há quem queira editá-las e, no entanto, geralmente, só o que se consegue é complicá-las.
Minhas palavras precisam vir à tona ou então animarão meus vulcões internos até que estes entrem em erupção espalhando lavras que, às vezes, escapando de mim, queimam o outro.
Eu só me entendo quando me visto de palavras.
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